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CONCURSO DE ENIGMAS POLICIÁRIOS (PRODUÇÃO) "MÃOS À ESCRITA!" – 2026

 

 

TORNEIO DE DECIFRAÇÃO DE ENIGMAS POLICIÁRIOS

“SOLUÇÃO À VISTA!” – 2026

PROBLEMA Nº 11

OS FILHOS DA TALIDOMIDA

Autor: Mali

Em Lisboa, e há uns anos a esta parte, em determinado dia de outubro, deram entrada numa Maternidade, quatro senhoras. Embora residissem relativamente perto umas das outras, não se conheciam entre si.

A gravidez destas senhoras talvez tenha decorrido de forma atribulada. Ou talvez, por nessa altura ter aparecido a famigerada talidomida, o certo é que tais senhoras a usaram. Em resultado disso, nesse dia de outubro e com poucos minutos de intervalo, deram à luz quatro meninos que, por força da medicação das “mamãs”, não nasceram fisicamente perfeitos: Um, cego; outro, duplamente maneta; o terceiro, surdo-mudo; e o último, perneta – perna direita muito mais curta.

As parturientes ocuparam camas contínuas no mesmo quarto, pelo que se irmanaram na sua comum “desdita”. A amizade possível perdurou por vários anos, pelo que as quatro crianças cresceram juntas.

Cresceram, atingiram a maioridade, sempre amigos.

Um deles é ruivo. Dois, exatamente aqueles que não podem praticar o seu desporto favorito, são “doentes” das competições; os outros dois, não ligam ao desporto, mas são dados às artes, que praticam como passatempo.

Sempre bem-dispostos e brincalhões, tudo lhes serve para riso e chacota.

Anualmente festejam, a bom recato e sem outros intervenientes, o comum aniversário natalício, em constantes brincadeiras, partidas, ditos e boa disposição.

 

Damos conta breve do muito que se passou na última festa:

O António não gosta de vinho tinto, não tolerando qualquer bebida alcoólica. Por sua vez o loiro não gosta de água. O Carlos, sorrateiramente, trocou-lhes os copos e aguardou. Ao levar o copo à boca, o António cuspiu e blasfemou. O Daniel riu-se e disse:

– Mais uma brincadeira do boxeur…

Todos riram com exceção do pintor que não percebeu a piada.

– Oh, contabilista, disse o Bernardo, ainda te lembras do melão que guardaste na tua colecção de troféus, quando o CDUP ganhou ao CDUL por 20 a 9?

– Se me lembro – respondeu – até o velhinho fez a canção “Toc, toc, a compasso” em minha honra…

– Que tu dançaste a “compasso certo”, retorquiu-lhe o loiro.

– E tu aí, ó moreno – disse o coordenador – transmite aí ao “computas” que, se o relações-públicas bebesse água, não tinha provocado a caricata situação ocorrida na semana passada no P’rá-Kis’tão.

Risada geral, e a festa continuou.

 

Será o leitor capaz de fazer corresponder a cada um, o nome, a cor do cabelo, o aleijão, a profissão e o passatempo favorito?

 

© DANIEL FALCÃO