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BLOGUE: CONCURSO
DE ENIGMAS POLICIÁRIOS (PRODUÇÃO) "MÃOS À ESCRITA!" – 2026 |
TORNEIO DE
DECIFRAÇÃO DE ENIGMAS POLICIÁRIOS “SOLUÇÃO À VISTA!”
– 2026 PROBLEMA Nº 9 Solução de: UM CRIME EM SOUTO
DAS ALMAS Autor: Paulo Comecemos
por analisar as declarações de João. É evidente que ele mente. O telemóvel
coloca-o em casa de Matilde ao fim da tarde. Mas isso não faz dele um
criminoso, apenas poderá servir de prova de infidelidade conjugal. Tentando
manter as aparências, ele nega qualquer relacionamento com Matilde, assim
como esta, mas parece evidente que ele existe. O
facto de o telemóvel o colocar na sua própria casa na hora do crime, não
prova nada, pois poderia andar sem este, mas os testemunhos, incluindo os dos
filhos, provavelmente confirmariam a sua presença em casa. A cumplicidade da
mulher, muito menos seria compreendida. Provavelmente,
se fosse mesmo necessário, João acabaria por revelar onde passara o final da
tarde. Matilde,
embora mantivesse um relacionamento com João e soubesse do de Luís com outra
mulher, não se encontrava em condições de executar o crime, uma vez que se
deslocava com a ajuda de duas muletas. Rosa
não tem motivos para matar Luís, quando muito para cometer um crime em
Matilde, de modo a acelerar o divórcio. A imobilidade do telemóvel não a
iliba nem a acusa. Já
o mesmo não se passava com Carlos. Tinha motivo: possíveis desavenças por
causa da dívida de Luís. As suas declarações revelam-se estranhas. a)
Parece conhecer o motivo da morte logo depois do crime, quando ainda não
tinha sido feita a autópsia. Se relacionarmos o termo abafar que ele usou com
o motivo da morte, asfixia por estrangulamento, pode-se concluir do seu
conhecimento sobre a causa da morte, que apenas deveria ser do conhecimento
do assassino. b)
Mente quando diz que não saiu de manhã por causa da geada. Se houve vento
forte toda a noite não haveria geada. Para não ser confrontado com o crime
preferiu manter-se em casa. O
crime parece ter sido por impulso, pois a arma usada foi a que estava mais
acessível. A inexistência de impressões é normal dado o mau estado possível
da barra metálica. Possivelmente no âmbito de uma discussão, Carlos matou
Luís. Depois, afastou-o para um local mais ermo, numa tentativa inútil de
esconder o crime, mas com o seu cérebro já a ter consciência do ato cometido
e a tentar, de modo infantil, a ocultação do cadáver, como se isso resolvesse
o seu problema. Essa mesma tentativa de se ilibar, levou-o, na manhã seguinte,
a não querer sair de casa até ter sido interrogado pelas autoridades, e por
isso não tinha visto que não tinha geado. Mais uma fuga à realidade, como se
o afastamento do crime o tornasse inexistente. Tudo
indicia que ele será o criminoso pelo que a polícia terá que desenvolver a
pesquisa na busca de pistas e factos que o provem. Critérios de pontuação/classificação: – indicação de Carlos como autor do crime – 4 pontos. – referência ao facto de Carlos conhecer o motivo da morte,
antes de feita a autópsia – 1 ponto. – referência à mentira de Carlos sobre a existência de geada
– 1 ponto. – presença – 4 pontos. |
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© DANIEL FALCÃO |
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