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Problemas 3. A MORTE DE
UM SENHOR DE OUTROS TEMPOS 4. A
ESPOSA ESTRANGULADA 5. MORTE NO BAR |
TORNEIO DE FÓRMULA
1 POLICIÁRIA TORNEIO PARALELO
DE HOMENAGEM À GERAÇÃO DE 70 GRANDE PRÉMIO DO MONTIJO
e PROBLEMA Nº 4 A ESPOSA
ESTRANGULADA Autor: Paulo Estava eu sossegado em casa, após mais um dia de
trabalho, quando o meu vizinho me bateu à porta, porque sabia que eu era da
Judiciária, como ele me disse. Com ar muito aflito, referiu-me que a sua esposa
estava morta no quarto, que pretendia que eu lá fosse o mais rápido possível,
e que depois eu chamasse a polícia. Aqui para nós, ele já tinha feito isso, porque eu
era polícia, mas eu percebia o que ele queria dizer. Chovia bastante, e lá fomos aqueles poucos metros
entre as duas casas, a correr para fugir daquela chuva persistente que se
mantinha desde o início da tarde. Considerando que começava a anoitecer, eram
já muitas horas de chuva ininterrupta. Era uma vivenda geminada. Entrámos pela porta
principal, que deixou ver uma sala e cozinha perfeitamente arrumadas, e
levou-me ao andar de cima, ao local onde estava o corpo da esposa, ou seja, o
quarto onde dormiam. O quarto estava em total desordem. Era perfeitamente
visível que tinha ali existido uma luta que atirara ao chão vários objetos,
arrepanhara as roupas da cama e terminara com a morte da esposa do meu
vizinho. Antes que me esqueça, o meu vizinho, que ficou viúvo, chama-se
Alfredo, e a esposa, ou ex-esposa, dava pelo nome de Ermelinda. Eram visíveis as marcas que os dedos tinham deixado
em redor do pescoço da vítima. Era óbvio que alguém apertara fortemente aquele
pescoço, e isso provocara a morte. O médico esclareceria se fora por asfixia,
ou se o aperto das carótidas roubara o sangue do cérebro. Era muito cedo para
tirar conclusões. Não se viam ferimentos no corpo. – Encontrei-a assim, quando cheguei, há poucos
minutos. Parece-me que foi um assalto. Ela chegou a casa mais cedo do que
seria normal e encontrou alguém a roubar. Foi essa pessoa que a matou. –
Dizia o meu vizinho, repetindo várias vezes: – Foi um ladrão! Achei que era altura de chamar os técnicos e
telefonei para a sede, informando que já me encontrava no local. Não era
preciso vir muita gente. Bastavam os elementos que tinham de fazer o
levantamento dos dados periciais. No primeiro andar, havia mais dois quartos. Eram dos
filhos, que se encontravam no estrangeiro em Erasmus. Um na Letónia e outro
na Eslováquia. No quarto de banho do casal, uma vistoria rápida não
revelou qualquer elemento anormal. As toalhas devidas estavam nos sítios
corretos, tudo muito bem arrumado. O mesmo se passava com o outro quarto de
banho que, provavelmente, seria usado pelos filhos, que como eles não estavam
na casa, mantinha um ar muito organizado. Olhei para o relógio e reparei que desde que chegara
à casa teriam passado pouco mais de 10 minutos. Faltava-me ver a garagem. Era necessário descer mais
um piso, em relação à porta por onde entrara, pois, para entrar nela, vindo
da rua, era necessário descer uma pequena rampa. Na garagem, que tinha uma porta, que dava para a
rampa de acesso com as viaturas, e outra, por onde eu viera, a uma escada
pela qual se tinha acesso aos pisos superiores, nada mais havia além de dois
automóveis. O de Ermelinda estava à frente. O de Alfredo estava atrás, junto
à porta que dava para a rua, que funcionava por ação de um motor elétrico. Dei a volta por detrás do carro de Alfredo, olhando
o chão da garagem que tal como toda a casa, com exceção do quarto de casal,
tinha um aspeto exageradamente limpo, sem nenhuma marca. Pousei a mão no capô
do carro do meu vizinho e no da esposa, verificando que os dois estavam
frios, a temperaturas sensivelmente iguais. Voltei a dar a volta e sai da garagem, por umas
escadas que já descera antes e que agora me conduziriam ao piso de entrada. Os meus colegas chegaram, mas eu já tinha algumas
ideias sobre o que acontecera. Pergunta-se: Que terá acontecido? Fundamente a resposta.
SOLUÇÃO E CRITÉRIOS DE PONTUAÇÃO |
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© DANIEL FALCÃO |
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