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POLICIARISMO E ENIGMÍSTICA

DESAFIO AO LEITOR

PROBLEMA Nº 5

A NOITE DOS PEGANHENTOS

Autor: Fotocópia

Uma mão peganhenta e suja aproximava-se do recipiente, pronta para cometer o delito.

– Ladra… ladra mais! – gritava a mãe, – ladra mais a ver se te dou comida mais depressa!

A pequena Sabrina apanhara um "susto de morte" pensando que o grito da mãe lhe era dirigido, percebendo em seguida que era para a sua cadelinha Laika. Estando a mãe na cozinha em afazeres, olhou rapidamente à volta e não havendo testemunhas, terminou com o que começara, à socapa.

– Mãe, não grites com a Laika, ela está apenas com fome. – dizia a Sabrina com voz dócil.

– Estás com uma voz tão docinha, filhota. O que te terá adoçado? – respondia a mãe em tom jocoso, detetando chocolate no seu canto da boca. A "esperta" Sabrina fingiu não ouvir a ironia da progenitora enquanto abria uma grande lata de comida para colocar no recipiente da Laika, matando-lhe a fome para o resto do dia.

– Obrigado, querida, vai agora despachar-te, os teus amigos devem estar a chegar. O bolo de abóbora com passas está quase pronto e o sumo de groselha está no frigorífico.

– Está bem… – retribui a Sabrina já no quarto, ouvindo-se a resposta de forma opaca.

A campainha toca, eram os amigos de Sabrina. Frank, Hermione e Bram, todos com disfarces alusivos à noite presente.

– Olá, meninos, entrem e vão lanchando este bolo cheio de bichos acompanhado com… – "Sangue? Vou gostar muito" – interrompe Bram completando a frase da mãe da Sabrina. Todos se riram, pois, perceberam a brincadeira.

– Olá, aqui estou eu… – apresentara-se Sabrina, também disfarçada, aos amigos e à mãe que se encontravam na sala.

Findo o pequeno banquete, longe de ser pantagruélico, puseram-se os cinco a pé indo de porta em porta para recolher doces ou fazer travessuras.

– Não devias ter trazido a Laika – reclamava a Hermione – só vai atrapalhar e afugentar as pessoas de nos darem doces, ou pior, comê-los!

– É da maneira que fazemos travessuras – retorquiu Frank. Bram riu às gargalhadas, aprovando o que o amigo dissera, quase fazendo cair os dentes.

O tempo passara, era tarde e o cansaço apoderara-se do grupo de "monstrinhos". Tinham adormecido a falar num jardim perto de suas casas ainda com os recipientes cheios de bolos, chupas, chocolates, rebuçados e gomas.

Laika mantivera-se sempre acordada a vaguear por um tempo, estando a contemplar a lua, perto do grupo, quando Hermione acordou sobressaltada. Recolheu a sua varinha e pôs-se a correr, avisando já do fundo da rua que tinha de ir depressa para casa porque os pais trabalhavam amanhã cedo e, portanto, também tinha de se deitar cedo.

– Grande mentirosa – resmunga Frank ainda meio adormecido a coçar a cicatriz de fantasia na testa. – Ela não quer é estar mais connosco só porque trouxeste a Laika, passou a noite toda a querer ir embora.

– Não gostei do que ela disse sobre a minha cadelinha, mas também não sei se será por isso que ela foi embora tão depressa…

– Olhem vamos embora? – pergunta Bram, acrescentando: – pois a Hermione deve ter feito alguma coisa para "fugir" assim, também acho que não foi por causa da Laika.

Ao levantarem-se para irem embora notaram num "crime" horrível – os recipientes estão vazios – entoaram quase em coro começando pela Sabrina e acabando em Bram.

– Como é que a Hermione foi capaz? – vociferava Frank. Sabrina estava atónita, sem falar, agarrada ao seu chapéu preto e pontiagudo.

– Não acredito…, mas só pode ter sido ela -–exprimia-se Bram.

Na manhã seguinte a mãe, não sabendo do sucedido, ao arrumar o recipiente de Sabrina, notou que havia restos de bolos e gomas com dentadas que pareciam ter marcas de grandes caninos…

 

Quem terá comido todas as guloseimas?

Justifique, como descobriu o(a) culpado(a) e o porquê de ilibar todos os restantes suspeitos, identificando a celebração do cenário da narração e os disfarces dos personagens.

 

 

© DANIEL FALCÃO