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RAPIDINHA 1. CRIME NA CASA AMARELA Autor: NOVE
Numa bela mas infeliz manhã de Maio, o coronel
apareceu morto no seu escritório, uma divisão situada na parte da frente do
rés-do-chão da “Casa Amarela”. Foi a empregada quem encontrou o corpo, cerca
das 9h10, pouco depois de ter entrado ao serviço. A polícia foi chamada e, pelas 10h20, chegou o
Inspector Pereira, o agente Dias e o Dr. Martins, médico legista. Foi tudo examinado com cuidado. Concluiu-se que o
coronel Ferraz havia sido atingido com um tiro na nuca, desferido a uma
distância entre 0,5m e 1,0m e que a morte ocorrera entre as 7h45 e as 8h15. A
cápsula do projéctil estava no chão do escritório mas a arma fatal não se
encontrava lá. Não havia sinais de movimentação do cadáver. O Inspector Pereira chamou a empregada e os dois
sobrinhos para um primeiro interrogatório. A senhora fora ao posto médico daquela povoação,
onde estivera, segundo se comprovou, das 7h45 às 8h50. O sobrinho Carlos declarou o seguinte: “Desci para
o meu exercício matinal cerca das oito menos um quarto. O meu primo João
estava a tomar o pequeno-almoço com o tio. Quando eu andava lá por baixo, na
nossa quinta, perto da linha de caminho-de-ferro, ouvi um barulho, semelhante
a um tiro, vindo do lado de casa. Estranhei o facto mas não lhe dei
importância. Deviam ser 8h10 porque, no momento em que senti o tiro, estava a
passar o primeiro comboio rápido da manhã, que costuma ser muito pontual.
Regressei já depois das oito e meia e fui para o duche. Fiquei muito
surpreendido ao ouvir os gritos da nossa empregada… tinha eu acabado de me
vestir. Depois de ver o que acontecera telefonei de imediato para os
senhores.” O sobrinho João disse: “Vi o meu tio ao
pequeno-almoço. Ele estava bem-disposto e encarregou-me de tratar de uns
assuntos na cidade. Saí um ou dois minutos antes das oito. Fui primeiro falar
com o empreiteiro com quem ajustámos o arranjo da garagem e depois
desloquei-me ao nosso banco. Quando aí me encontrava, perto das nove e meia,
telefonou-me o meu primo Carlos a dizer que o tio tinha sido encontrado morto
no escritório. Por uns instantes fiquei sem fala. Recompus-me, pedi-lhe
pormenores e vim logo para aqui.” Após ter interrogado os dois sobrinhos o
Inspector Pereira ficou satisfeito. O caso não parecia complicado. Foi acidente? Foi suicídio? Se foi assassínio,
quem o terá perpetrado? Justifique a sua resposta. Fonte: Blogue Repórter de
Ocasião, 11 de Outubro de 2026 1ª RAPIDINHA POLICIÁRIA – PRÉMIO DIC ROLAND,
Edições Fora da Lei, Ano de 2013 |
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© DANIEL FALCÃO |
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