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SOLUÇÃO DA RAPIDINHA 1. CRIME NA CASA AMARELA Autor: NOVE As hipóteses de acidente ou de suicídio têm de
ser postas de lado por duas razões de peso: – O
coronel Ferraz foi atingido na nuca e com um tiro desferido a uma distância
compreendida entre 0,5m e 1,0m. Ora não é de esperar que alguém se mate com
um tiro na parte de trás da cabeça e com a arma a mais de meio metro de
distância. Também não se compreenderia um acidente devido ao manuseamento de
uma arma de fogo que a vítima estivesse a segurar atrás da cabeça e a mais de
meio metro de distância. – A arma fatal não se encontrava no local onde o
coronel Ferraz foi atingido, ao contrário do que aconteceria em caso de
suicídio ou acidente devido ao manuseamento da arma. (Dir-se-á que alguém
poderia ter retirado o instrumento de morte por não estar interessado em que
o falecimento do coronel fosse dado como consequência de suicídio. No
presente caso, todavia, não temos razões para aventar tal hipótese nem a tese
do suicídio poderia prevalecer face ao facto do tiro ter sido dado na nuca e
a uma distância superior a meio metro). A hora da morte do coronel Ferraz ocorreu,
segundo a estimativa do médico legista, entre as 7h45 e as 8h15. Neste período de tempo a empregada esteve,
conforme se comprovou, no posto médico. Ela, portanto
não é suspeita. O sobrinho João, embora sem um álibi perfeito,
nada disse que o pudesse comprometer. Já o sobrinho Carlos tentou, sem dúvida, enganar a
polícia, ao declarar que ouvira o barulho de um tiro, vindo da vivenda,
quando se encontrava perto da linha de comboio, no momento em que estava a
passar o rápido das 8h10. Com efeito, como poderia ele ter dado conta do tiro
a cerca de cem metros da moradia e quando estava sujeito ao elevado ruído que
o comboio produzia perto de si? Claro que não lhe era possível ouvir o som do
tiro nessas condições. Além disso, o disparo ocorreu dentro de casa e numa
divisão virada para a frente. Portanto, é lícito concluir que Carlos, muito
provavelmente, matou o coronel Ferraz. Pode-o ter feito quando o tio ficou sozinho,
imediatamente depois de João sair. Fonte: Blogue Repórter de
Ocasião, 11 de Outubro de 2026 1ª RAPIDINHA POLICIÁRIA – PRÉMIO DIC ROLAND,
Edições Fora da Lei, Ano de 2013 |
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© DANIEL FALCÃO |
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