INTRÓITO

Uma iniciativa inédita nas páginas do Código Secreto

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8. – A IMPORTÂNCIA DE POSSUIR UM CACHIMBO | Ed Robbins

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10. – SOB O AROMA DO CAFÉ | Vê Ponto

 

EPISÓDIO 9.

SUSPEITO EM POTÊNCIA

Santos Varela

Atordoado com o insólito não tanto da aparição, mas principalmente das revelações que ouvira, ainda assim tentei reagir, procurando replicar ao choque do mando:

– Como pode você dar-me ordem de prisão somente porque o meu cachimbo está na sua mão?! Para mais, que autoridade tem o senhor para colocar as coisas nesse ponto tão radical se nem, sequer teve a atenção de se identificar nem tão pouco de confirmar a minha identidade?! E, já agora, que história é essa do cadáver do padre?! – interpelei, sem dar tempo ao meu interlocutor de fazer mais do que balbuciar esboços de respostas. Só quando conclui a “carga” é que o tipo, visivelmente menos incisivo, ripostou:

– A sua atitude confirma a sua identidade: Efe Mendes, investigador criminal. Quanto ao resto, tenha calma e faça o favor de conferir o meu cartão. Sou o Agente Matos Vargas, destacado para tomar conta de um cadáver… entretanto desaparecido, ao que parece.

– E como apareceu o meu cachimbo na encrenca? – perguntei, naturalmente preocupado com a evidência de um objecto meu surgir na trama de forma tão “autónoma”. – Hoje de manhã já não o encontrei quando me apeteceu cachimbar um pouco...!

– Faça o obséquio de me acompanhar ao posto da GNR, onde assentei arraiais. Lá teremos ocasião de colocar certas dúvidas a limpo, até porque o Cabo Seromenho está neste momento entretido com o corpo do pároco.

Foi o que fiz. Este caso complicava-se a cada instante e bem precisava eu, antes de mais, de me desvincular inequivocamente de toda e qualquer suspeita. Para “ajudar”, este Vargas não parecia utilizar métodos lá muito ortodoxos.

 

Fontes:

Secção Código Secreto nº 224, 16 de Junho de 1988

Blogue Repórter de Ocasião, 3 de Junho de 2026

 

© DANIEL FALCÃO