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Publicação: “Público” Data: 8 de Dezembro de 2002 Campeonato Nacional
2002-03 Taça de Portugal 2002-03
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CAMPEONATO
NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL 2002-03 SOLUÇÃO DA PROVA Nº 2 A MORTE DO MORENO DE OLHOS VERDES Autor: A. Raposo Tempicos, com a sua já longa prática de casos de
polícia, sabia que a história contada não batia certo. Se o que Ornelas
contava fosse plausível, então ficava por explicar o facto de a pistola ter
sido limpa de impressões digitais. Por outro lado e de
acordo com o depoimento da criada, tinha sido ao acender a luz do hall, quando foi disparado o primeiro tiro que, aliás, nem
acertou no Quinzinho. Assim sendo, quem atirou sobre o intruso, sabia que
estava a atirar sobre o Quinzinho. O segundo tiro foi-lhe fatal e ele caiu de
costas, pois estava voltado para o interior da casa e teve morte imediata. O
Tiro foi no coração. Tempicos, quando chegou, viu o corpo de bruços.
Alguém o virou entretanto, para dar a entender que ele ia a sair de casa e
estaria de costas, confundindo-se com um vulgar assaltante que tentava sair
de casa. Fatinha diz que
nada viu, mas acabou por afirmar aquilo que só alguém que tenha disparado
saberia, “levou um tiro certeiro...”. Como sabia ela, se foram disparados
dois tiros? Sabemos que o primeiro ficou incrustado na ombreira da porta e o
segundo, sim, foi certeiro! O seu tio Ornelas,
querendo ilibá-la, inventou uma história à pressa. Enfiou a rapariga no
quarto e deve ter-lhe dito para se calar. Foi virar o corpo do Quinzinho,
limpou a arma que retirara das mãos de Fatinha, com pano e colocou-a na
gaveta da secretária. Se fosse ele a disparar e a dar-se como atirador, então
não tinha nada que limpar a arma! É claro que não era
a primeira vez que Ornelas protegia a sobrinha, mas a jovem impulsiva e
irresponsável. Desta vez improvisou e, apesar da sua fértil imaginação, que
tanto utilizava nos romances policiais que escrevia, não conseguiu enganar o
experiente detective. Se a história de
Ornelas passasse e se o tribunal “engolisse” a trama, acabaria por lhe dar
uma pena leve, uma vez que e trataria de homicídio involuntário de um
eventual assaltante e onde ele desempenhava o papel de guardião dos legítimos
bens. Só que a história
acabou por ter outro desfecho e a menina Fatinha – cabecinha tonta – acabou
por ser incriminada pelo assassino do seu marido/amante. Ornelas, encobridor
do crime, teve a sorte de apanhar um juiz amigo da tropa e apanhou uma pena
suspensa. Tempicos bebeu mais uma cervejinha fresca com umas
pevides e encerrou o caso. |
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DANIEL FALCÃO |
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