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TORNEIO DE
DECIFRAÇÃO DE ENIGMAS POLICIÁRIOS “SOLUÇÃO À VISTA!”
– 2026 PROBLEMA Nº 9 UM CRIME EM SOUTO
DAS ALMAS Autor: Paulo Um
cão uivou, em Souto das Almas Boas, e chamou a atenção para o corpo oculto
nos arbustos levemente afastados da estrada. Um pastor deu o alerta. Foi
num dos outonos que avisam já o inverno, ventoso, que adveio o crime. A
investigação mostrou que a morte se devera a uma forte pancada na cabeça,
seguida de asfixia, com o assassino a aproveitar, talvez, a perda de sentidos
da vítima. Mãos fortes tinham apertado a garganta e impedido o ar de circular.
Depois o corpo fora arrastado, com os calcanhares a deixarem marca no
percurso, incluindo a perda de um sapato. A
vítima era Luís Cansado, vendedor de automóveis em estabelecimentos de venda
na sede do concelho e na capital de distrito. Distribuía a semana entre os
dois locais. A
sua casa ficava a pouco mais de 50 metros do local onde o corpo fora
encontrado. Vivia com a esposa, Matilde Cansado, que se encontrava com
dificuldades de mobilidade devido a um tornozelo partido, deslocando-se com a
ajuda de duas muletas. Luís
e Matilde viviam um casamento cansado. Cada um traía o parceiro, numa relação
de reciprocidade conhecida dos dois, e que, acreditava-se, brevemente
acabaria em divórcio. Sabia-se que apenas a gestão das dívidas do casal
dificultava a separação. Não
foi difícil saber que Luís estivera em casa de Rosa, solteira, com quem
mantinha uma relação havia algum tempo. Saíra de casa dela por volta das 22
horas, dirigindo-se para a sua. Rosa disse que tinham jantado depois das
vinte, assumindo o relacionamento. Afirmara que o divórcio de João estaria
próximo. Depois passariam a viver juntos. A análise do seu telemóvel mostrou
que o aparelho não saíra de casa dela. O
estudo do conteúdo estomacal, confrontado com as informações de Rosa, colocava
o falecimento cerca de duas horas depois da refeição. O
corpo estava num terreno perto das traseiras da casa da vítima. O carro,
fechado, estava junto à moradia. Matilde
dizia que lhe pareceu ter ouvido o carro chegar, mas o vento soprava tão
forte que não teve a certeza. Luís não chegara a casa, durante a noite, mas
ela já não estranhava. Acontecia muitas vezes e até sabia onde ele ficava.
Naquele dia ele trabalhara na sede do concelho e por isso ela já sabia que
ele não viria ou que então chegaria muito tarde. Foi
constatado que as suas dificuldades de locomoção eram evidentes, o que se
notava na desarrumação que existia na casa. Disse que tinha uma irmã que lá
ia uma vez por semana a ajudá-la, mas a última vez que lá fora tinha ocorrido
cinco dias antes da morte. João
Peliz surpreendeu-se quando a polícia o questionou.
As vozes de notícias da aldeia sabiam que ele, apesar de casado e com filhos,
era amante de Matilde. Por isso foi interrogado no local de trabalho, pois se
ficasse ilibado, evitavam-lhe os problemas familiares. Não reconheceu nenhum
relacionamento com Matilde, nem esta com João, e disse que na véspera tinha
saído da fábrica diretamente para casa, onde chegara antes do jantar. A
mulher e os filhos, dois adolescentes, podiam assegurar que ele não saíra.
Tinham estado a ver televisão até às onze da noite. Foi
necessário interrogar a esposa de João. Iva confirmou que ele tinha chegado a
casa antes das oito e não voltara a sair. Quis saber porque estava a polícia
interessada no marido, mas ficou pelas perguntas que não obtiveram resposta.
Na fábrica soube-se que João saíra às cinco horas para um percurso que
demorava cerca de 15 minutos até casa, onde chegara 3 horas depois. A
análise dos movimentos de João a partir do seu telemóvel indicava que ele
estivera na zona da casa de Matilde entre as cinco e um quatro e as sete e
vinte. Depois o telemóvel ficara situado na zona da sua própria habitação. A
residência de João ficava numa aldeia vizinha daquela onde morava a família
Cansado. Carlos
também foi interrogado. Era o vizinho mais próximo de Luís e Matilde Cansado.
A casa dele não distaria mais de cinquenta metros. Raramente era visto na
rua, designadamente quando as temperaturas eram mais baixas. Foi ouvido,
ainda na manhã em que o corpo fora descoberto, antes de este ser levado para
autópsia. Afirmou
que sabia, como toda a gente, que Luís e Rosa eram amantes. Carlos aguardava
há muito que Luís lhe pagasse uma dívida. Trinta mil euros, afirmara. Dissera
que sabia haver mais gente que lhe emprestara dinheiro e por isso não se
admirava se tivesse sido algum dos credores que o abafara. Não ouvira nada de
estranho, a não ser o vento forte durante toda a noite. De manhã, não saíra
de casa até a GNR chegar. Levantara-se ainda cedo, mas espreitara pela janela
e a geada fizera-o voltar para cama. As
autoridades não conheciam nenhum emprego a Carlos, mas toda a gente sabia que
vivia dos rendimentos do dinheiro que acumulara como emigrante na Suíça. A
arma do crime foi encontrada perto do local onde o ataque se dera, junto do
carro estacionado. Era uma barra metálica, oxidada, que fazia parte de algum
lixo, proveniente de uma vedação de um muro. Não foram encontradas impressões
digitais na barra. Outros
vizinhos nada tinham ouvido, mas também estavam mais afastados do
local e o vento que nunca parara não permitira distinguir os ruídos da rua. Em função
da informação que está no texto, pergunta-se quem é que acha, de entre os
intervenientes, que merece ser investigado mais em pormenor, em busca das
provas que o possam incriminar por matar Luís. As propostas
de solução devem ser enviadas até ao dia 30 de Setembro,
por um dos seguintes meios: a) por email, através do endereço
eletrónico: salvadorsantos949@gmail.com; b) por correio, através do endereço
postal: Salvador Santos / Rua Quinta do Modelo, 40 / 2820-261 Charneca de
Caparica; c) entregando em mão própria ao orientador da secção, onde quer que o encontrem. |
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© DANIEL FALCÃO |
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