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Capítulo
seguinte: 1. – MALANDRICES
NO CASTELO DE CHAMBORG | A. Raposo & Lena |
CAPÍTULO 0. EM JEITO DE PREFÁCIO A. Raposo & Lena
Tempicos deitado numa rede espreguiçadeira, segura entre dois coqueiros, numa
praia das Ilhas Seychelles, mais exactamente na
Ilha de Mahé. (Câmara faz zoom e simultaneamente a cena
esfuma-se) “Explicação da cena: Tempicos, farto de ser assediado por gerontes inglesas,
resolve tomar o avião e fugir das praias portuguesas, pois tinha uma
encomenda de escrita criativa a executar e as “gajas” não o deixavam sossegado
para se poder concentrar. Num bloco-notas Tempicos
começa a delinear a história, encomendada pelo seu amigo Salvador Santi, responsável pela programação do teatro Ambassador da Broadway, Nova York, USA. A peça teria que
ir à cena na próxima saison.” (Tempicos toma notas
dos tópicos e começa a escrever o esqueleto da história). Tinha que meter um
crime! Era uma imposição do amigo Salvador Santi.
Era forçosamente uma história policial. Não havia volta a dar. Um drama ou
uma comédia, isso era indiferente. Alguém teria que matar e alguém teria que
ser morto. Tempicos começou por idealizar uma moça, jovem, roliça natural de Sobral de
Monte Agraço. Nos anos 60, tinha dado o salto para França, à procura de
trabalho e de fama. Se tropeçasse em homem rico também calhava. Mas não seria
fácil. A primeira ocupação que arranjou, provisória – para assentar arrais
foi a de “concierge”. Nas folgas ia até ao “BalaJô”,
rue de Lappe, dançar umas
“musettes” e acabava a beber um copo no “caveau” onde cantava Juliette Greco. Fizeram-se amigas e
o “milieu” abriu-se à Maria Pontes que rapidamente
arranjou pseudónimo: Madame Point. Um dia sai-lhe na rifa um tal Mendés-de-Chamborziac, viúvo, dono do castelo de Chamborg, no Loire. Não se desaproveitou e rapidamente
viu-se no castelo, rodeada de mordomias e claro teve que mudar de nome. Desta
vez escolheu Lilly de Chamborg.
Rapidamente a nossa Lilly
teve que arranjar um motorista para conduzir o seu Ferrari. Saí-lhe Joseph d´Ambrosio
um motorista que desenrascava. Para a cozinha manteve Arnéss
uma bretã baixinha, mas muito viva que fazia uns petiscos de primeira.
Dizia-se que gostava de ouvir histórias picantes (poivrés). Para todos os serviços tinha um moço forte e
peitudo que se chamava Anarda (leia-se Anardá) Na casa vivia ainda uma menina (au pair) que trocara com a filha de Mendés
seu nome era Kátinha Vanessa, uma moça (100%
virgem, afirmava-se) endiabrada. Uma vez que Mendés caía
muitas vezes do cavalo quando das caçadas, resolveram contratar uma
enfermeira Frau Jeremein.
Uma mulher que lhe tratava da saúde e de outros achaques… Aos domingos, vinha dar missa o cónego Novenat um personagem complicado que diziam era bi. Muita intriga se tecia naquele castelo. Dizia-se
que Novenat queria à força mostrar os paramentos à
Menina Kátinha, à Frau Jeremein e ao Anarda, ele não era esquisito. Dizia-se que Madame Point
(Lilly) facilitava. Dizia-se que Anarda e Joseph
assim que podiam espreitavam Kátinha. Mas de certo
só temos a morte de Mendés, atravessado por uma
flecha de caça ao veado, e para resolver esse imbróglio foi chamado um detective que passava de férias lá pela terra. Andava a
visitar os castelos do Loire. Tempicos de seu nome. Homem que raramente se enganava. Fontes: Blogue Repórter de
Ocasião, 14 de Junho de 2026 TEMPICOS NO CASTELO DE CHAMBORG, Edições Fora da
Lei, Ano de 2011 |
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© DANIEL FALCÃO |
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