|
Capítulo
anterior: 0. – EM JEITO DE
PREFÁCIO | A. Raposo & Lena Capítulo
seguinte: 2. – O PARAÍSO
NUM FERRARI | Zé |
CAPÍTULO 1. MALANDRICES NO CASTELO DE CHAMBORG A. Raposo & Lena
De manhã, dormir até tarde para retemperar, e um
creme hidratante, atendendo às sessenta e muitas primaveras do Marquês.
Sugeriu ainda a mudança dos dias dos banhos. Passavam a ser: dia sim, dia não, nos feriados
nacionais. Excepto Natal e Páscoa, dias santos. Foi nessa fase de tratamentos que Mendés conheceu Madame Point.
Foi-lhe apresentada por Juliette Greco que cantava no Caveau
de la Huchette, no Quartier
Latin. Apesar da diferença de idades, a coisa foi
avante. Madame Point (Aliás Maria Pontes, ex-concierge, portuguesinha das Beiras) transformou-se em
Madame de Chamborg, mudando-se de armas e bagagens
para as margens do Loire. Para elevar o “status social” exigiu um motorista
profissional e um veículo vermelho, descapotável e que fazia um ruído maluco
– tinha um cavalinho pintado e dava por nome Ferrari. Custara os olhos da
cara ao Marquês, mas dias não são dias. Madame de Chamborg,
passou a ser Marquesa, por afinidade. Para tentar entrar no jet-set local
passeava-se pelas redondezas com o seu motorista, fazendo pic-nics
e entrando em “rallies-papers”. O pessoal local,
labrego e má-língua começou a dizer coisas. Alguns espreitaram e viram cenas.
Foi-se passando a informação boca a orelha e o Marquês se os chifres fossem o
que contavam já não cabia no portão do castelo! Mas é assim. As pessoas são mázinhas e sobretudo tendem a atacar a Monarquia. Certo é que o motorista da senhora de seu nome
Joseph d´Ambrosio começou a definhar, emagrecendo a
olhos vistos, apesar de ter sempre uns bombomzinhos
no tablier, para satisfazer a madame mas onde ele às vezes ia depenicar.
Anardá um rapaz que tinha vindo do sul e gostava de se expor todo nu, nas
zonas altas da mansão apalaçada. Anardá, uma
espécie de criado para todo o serviço dizia coisas mas como era em surdina
não se sabia bem o que dizia. Bom não seria! Ao domingo, a família e os lacaios reuniam-se na
capela do castelo e vinha da aldeia o Padre Novenat
dizer missa. Antes da missa havia sempre umas grandes confusões com a menina Kátinha e os paramentos. Mas nada de mal poderia
passar-se na casa do Senhor. O sacristão Anardá
(fazia tudo!) vestia os paramentos ao cónego com a ajuda da menina Kátinha. Falava-se que se passavam coisas na sacristia
porque se ouviam uns barulhos, mas nunca ninguém conseguiu transformar as
suspeitas e apresentar provas. Talvez Tempicos, mas
por agora andava em passeio a visitar os “Castelos do Loire”. Chamborg era o próximo. Falta-nos mencionar Kátinha
Vanessa. Estava em casa do Marquês por troca com a sua filha na modalidade
muito em voga chamada “Au pair”. A filha do marquês não entra na história, para
que possamos apresentar o romance ao prémio Nobel, logo que esteja terminado.
Ela tem toda a liberdade para ser o que é mas nestas coisas das letras temos
limites que não iremos transgredir. Falta mencionar ainda uma personagem importante
no decorrer da história, mas que passa despercebida, por entre os umbrais.
Estamos a falar de Frau Jeremein
uma mulher misteriosa que se supunha estivera a governar um asilo de
alienados. O seu ar altivo e peremptório sempre de
seringa em riste (era enfermeira diplomada) assustava qualquer camponês que
se aproximasse do castelo. Dizia-se que conseguiu tirar prazer quando estava
a espetar a agulha na bimba do Marquês. Más-línguas. Porque Frau J. podia
não ser uma boa rapariga, mas era uma rapariga boa. No sentido de esmoler e
de coração ao pé da boca. A história dar-nos-á razão. Não vamos falar de Tempicos
esse grande mestre da actividade dedutiva pois é
por demais conhecido. Tempicos entra na história só
para desvendar o assassinato que a páginas tantas se irá concretizar. Fontes: Blogue Repórter de
Ocasião, 21 de Junho de 2026 TEMPICOS NO CASTELO DE CHAMBORG, Edições Fora da
Lei, Ano de 2011 |
|
© DANIEL FALCÃO |
|
|
|
|