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FINAL de Onaírda [… a
publicar no dia 20
de Setembro
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EPISÓDIO FINAL DE ZÉ
Quando o telefone tocou naquela esquadra do vale
do Loire, o gendarme que o atendeu estava muito longe de imaginar que a sua
hora de almoço estava irremediavelmente estragada: – O Marquês de Chamborg
está morto! Foi assassinado, há minutos, no seu couto de caça. Encontrarão o
corpo a 200 metros do caminho florido, para sul da curva da pedra dos
mistérios. – Quem fala? – Bonjour, mon ami… O polícia deu o alarme e a patrulha saiu. Não foi difícil encontrar o que restava daquele
que tinha sido o Senhor de Chamborg. Isolaram o
local, identificaram os seus próprios sinais e chamaram os patologistas e a
polícia científica. O quadro era sinistro, mas impressionante! De pé,
o Marquês tido sido, literalmente, pregado a uma grossa árvore, por uma seta
que o atravessou e se incrustou no velho tronco!!! Apesar dos seus defeitos e
das suas (muitas) limitações, o Senhor de Chamborg
saiu da vida em grande estilo e com dignidade – morreu de pé! De pé e dando uma trabalheira à equipa técnica,
para o tirar de lá, sem corromper as provas. E lá foi ele e parte do tronco
para a morgue. Pobre Marquês… Até depois de morto foi um fardo pesado! Abreviando os pormenores, a polícia não
identificou o autor da chamada e apenas detectou,
na seta, um aroma muito agradável a perfume Juliette Greco, cujo frasco foi
encontrado no castelo. No chão, ainda fresco da forte chuvada da
véspera, foram encontrados dois pares de pegadas diferentes, que paravam a 30
passos do corpo. Um, feminino, a Oeste, compatível com botas de cavaleira. Um
rasto leve, do caminho até uma pedra alta, e outro, de regresso, muito
apressado, ao caminho. O segundo, a Leste, de um homem, calçando botas
com polainitos de xadrez. Rastos calmos, tanto à ida como à vinda (em relação
ao caminho). Do caminho até à estrada que passava em frente da porta do
Castelo, apenas um rasto de ida das mesmas botas de cavaleira e um rasto de
ida e volta das botas masculinas bem conhecidas. O mais potente dos arcos da colecção
do Marquês foi encontrado, escondido, entre o corpo e o caminho, sem outros
sinais (impressões digitais, ADN) para além do mesmo perfume. Ao longo de todo caminho florido, rastos de
largos pneus italianos, desde o início (estrada em frente do castelo) até ao
fim (estrada municipal que levava à cidade). Rastos erráticos,
ziguezagueantes, com arranques e travagens fortes e muito frequentes, muitas
idas à relva lateral e passagens demasiado perto de bastantes árvores,
descascadas e com fortes marcas de tinta vermelha... O Comissário tocou a reunir os moradores do
castelo e recolheu os seus depoimentos: Joseph, Frau Jeremein e Arnéss tinham saído,
no Alfa, cedo, para a cidade, dispensados por Madame. Fizeram compras,
almoçaram, conviveram, comentaram as últimas da vida castelã. Ao regressarem,
depararam com o aparato da polícia. Souberam as (tristes) notícias e tentaram
contactar Madame, pelo telefone, sem sucesso. Avisaram Anardá,
que se encontrava, desde o nascer do sol, do outro lado do Castelo, longe, a
dirigir uma plantação de tomates. Conseguiram falar com Novenat,
que se estava, desde a véspera, em retiro, numa reunião com o Bispo, na
cidade. Kátinha regressara a Portugal, 3 dias antes. De Tempicos
nada sabiam, pois não tinham autorização para o contactar. Ao entrar na garagem, Joseph deu por falta do
tesouro – o Ferrari! Ficou em pânico, pois Madame conduzia mal e nem lhe
passava pela cabeça que mais alguém tivesse acesso ao comando do carro. A não
ser que Madame o tenha emprestado a alguém, pensou, ao reparar num pedaço de
pano de xadrez, junto à porta da garagem. O carro foi encontrado, mais tarde,
em estado mais que lastimável, no aeródromo local, de onde partira, há muitas
horas, um rapidíssimo jacto particular, fretado. Joseph ficou louco. Não sabia quem era mais
criminoso – se quem matara o Marquês se quem desfigurara aquela obra dos
deuses... Organizou-se um comité de sobrevivência,
comandado por Frau Jeremein
e Arnéss, até esclarecimento completo da
situação... Dias depois, chegaram a polícia, o advogado do
Marquês e o notário. Por eles souberam que todas as contas do casal de
patrões (locais e internacionais) tinham sido transferidas, na véspera da
morte, para destino protegido por sigilo bancário. Das centenas de milhões de
Euros, nem um cêntimo… Quando foi lido o testamento, foi a surpresa
total. O marquês, casado em comunhão de adquiridos com Madame Point (Lilly, para os amigos),
nada lhe deixara – zerinho! 50% dos bens para Novenat;
30% para Frau Jeremein;
20% para dividir entre Anardá e Arnés.
Para Joseph, nem uma palavra quanto mais dinheiro!!! Posto tudo à venda (e era muuuito!),
rapidamente um multimilionário texano (conhecido produtor de petróleo)
adquiriu o lote inteiro. Dividiram a “massa” e foi cada qual à sua vida: Novenat (a eminência) é, agora, bispo da sua diocese. Instalou o Paço num
convento de freiras e continua a divulgar a sua mensagem, confessando quem
lhe aparece a jeito. Anardá (o leal) seguiu Novenat e é o chefe da sua
“Casa Civil”. Não tem mãos a medir e já não precisa de binóculos. Jeremein (a firme) foi tirar um curso de Investigação Criminal a Nova Iorque e
passou com tal distinção que é, actualmente,
presença indispensável nos maiores cursos e colóquios mundiais sobre a
matéria. Arnéss (a doce) investiu tudo numa Escola de Hotelaria, no Norte de
Portugal, frequentada pelos melhores “chefs” do mundo, em cursos de formação
e actualização. Prepara-se para ser dona de um
clube de futebol e pugnar por arbitragens mais isentas. Kátinha (a louca) anda na vida … dela! Faz que estuda Relações
Internacionais, mas só frequenta as aulas práticas. Joseph (o utópico) voltou à Ferrari. É ele quem
manobra o lollipop (aquela esfera de metal que,
quando levantada, manda o piloto de Fórmula Um voltar à corrida, após mudança
de pneus, nas boxes). Fica irreconhecível com aquele capacete de astronauta,
mas eu sei que é ele e está feliz… Madame Point (Lilly, a recauchutada) está onde todos calculamos – num
paraíso fiscal, sem acordo de extradição com a França, nadando em piscinas
douradas, rodeada do seu harém... E Tempicos (o bom
malandro)? O que faz Tempicos? Por onde anda Tempicos? Fontes: Blogue Repórter de
Ocasião, 13 de Setembro de 2026 TEMPICOS NO CASTELO DE CHAMBORG, Edições Fora da
Lei, Ano de 2011 |
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© DANIEL FALCÃO |
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