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EPISÓDIO FINAL DE ARNES Na correria e com a escuridão, Tempicos não viu a
raiz de uma árvore e caiu desamparado no chão. No Castelo viam-se janelas iluminadas e pessoas
começaram a aparecer na enorme porta principal, alertada pelos gritos. Santi
teria preferido não ter que enfrentar ninguém, mas tinha feito um curso por
correspondência de detective, foi inclusive premiado como o melhor e resolveu
entrar para ajudar no que fosse preciso. Se alguém o reconheceu, não o
mostrou, só Tempicos se abraçava a ele e entre uma série de grunhidos que
proferia, conseguiram ouvi-lo a dizer. Mataram o Marquês e queriam matar-me a
mim… Estavam todos reunidos no enorme hall do Castelo,
Arnéss apareceu do lado da cozinha, com uma chávena de chá a fumegar, que
gentilmente ofereceu a Tempicos, que sofregamente a tomou, enquanto acalmava
aos poucos. Vários pares de olhos e respectivos ouvidos, esperaram que
acabasse, à espera de explicações. Nesse momento entra Anadrá castelo dentro,
com o corpo do Marquês ensanguentado, nos braços. A Madame deu um grito e
quase caiu inanimada, valeu-lhe a rápida intervenção do padre que nessa noite
havia pernoitado no Castelo. Arnéss abraçou-se a Kátinha e foram prontamente
reconfortadas por Joseph que abraçou as duas. Frau J atirou-se para o sofá
mais próximo, enquanto abria o penhoar que vestia esta noite, para que lhe
entrasse algum ar fresco...Anadrá depositou o corpo do Marquês, num chaise-long
que existia ali próximo, Frau J já um pouco refeita da emoção, levantou-se,
aproximou-se e com o estetoscópio que trazia ao pescoço, fez um rápido exame
ao Marquês e em voz mais arrastada que o costume, disse. – Estaaaar mesmoo Morrrto. Gooood nos acuda!!
Como foi que ele saiu do castelo sozinho e quem andaria a caçar àquela hora,
por certo algum caçador ilegal andava nos bosques e terá morto o patrão por
acidente. Santi levantou a mão pedindo para se calarem e
pediu a Anadrá que ligasse à Polícia. Virou-se para Tempicos e pediu-lhe para
lhe contar tudo que sabia, talvez os dois em conjunto descobrissem o que
realmente aconteceu e quando chegasse a polícia, já poderiam ter uma solução.
Tempicos contou o porquê de estar ali e disse que durante a tarde, tinha
mandado uma missiva, através de uma camareira que tinha conhecido na cidade,
com ordens para que a entregasse ao próprio e longe de outros olhares. Na
carta pedia ao Marquês, para se encontrar com ele no bosque, longe de ouvidos
ou olhares, para lhe falar de um assunto de extrema importância, pois estava
em crer, a sua vida estava seriamente ameaçada. Esperara no sítio combinado, quando começou a chuviscar,
pensou que não ia aparecer, mas depois de 15 minutos de espera, viu o vulto
do Marquês com uma capa de cor amarela, que se aproximou a coxear.
Apresentou-se, disse-lhe quem era e o que vinha ali fazer e foi nesse momento
que ouviu um silvo e o Marquês, caiu-lhe aos pés, sem ter tido tempo sequer
de dar um ai, com uma seta a atravessar-lhe o tronco na zona do coração. O
resto Santi já sabia. Santi dirigiu-se à madame e perguntou-lhe, onde
estava e que estava a fazer. A Madame disse que tinha ido dar as boas noites
ao Marquês e estranhou, este ainda estar vestido, mas notou que ele estava de
mau humor e preferiu não lhe perguntar nada, até porque estava na hora da
enfermeira aplicar a injecção que diariamente lhe dava antes de ir para a
cama. Regressou ao seu quarto, tendo passado antes pela sala, para pedir a
bênção ao Padre e dar umas palavrinhas em particular ao Joseph, que tinham a
ver com o carro e com um passeio que estava a planear para o dia seguinte.
Quando ia para o quarto, viu a enfermeira a sair do quarto do marido, com um
livro de onde caíram folhas soltas, que esta prontamente apanhou. Como
anteriormente restaurava livros, o Marquês pedia-lhe que por vezes lhe
reparasse um ou outro. No quarto com janela para o bosque, estava a aplicar os
cremes, quando ouviu os gritos. Veio a correr, ver o que se passava. Anadrá falou a seguir e disse que estava no
terraço do castelo, que viu alguém sair com a sua capa amarela, que pouco
antes tinha emprestado à enfermeira que lha tinha pedido. Pelos passos
percebeu que era o Marquês e estranhou ele sair àquela hora, então desceu,
pois a noite estava muito escura e na escuridão do bosque os binóculos pouca
serventia tinham. Estava a sair do terraço, quando ouviu os gritos e
dirigiu-se para o sítio, onde tinha visto ir o Marquês. Passou por ele e Tempicos, ainda pensou em parar,
para lhes perguntar quem eram, mas com a ansiedade e com a aflição de ainda
poder valer ao patrão, andou sempre. Infelizmente, quando lá chegara viu que
já era tarde de mais. Pegou nele e trouxe-o nos braços para o castelo. Arnéss disse estar na cozinha a fazer o chá que
todos os dias levava ao Patrão antes de ele adormecer, quando ouviu os
gritos. Ao sair para o hall encontrou Anadrá que descia as escadas a correr e
saiu porta fora, sem lhe dar uma palavra, depois todos os que se encontravam
no Castelo desceram as escadas de forma apressada, só Joseph apareceu vindo
dos lados da garagem. Joseph foi o seguinte a explicar-se. Disse que a
patroa o informara, que no dia seguinte queria sair com ele no carro, então
foi providenciar para que tudo estivesse impecável, quando voltou ao castelo,
viu o alvoroço, mas não tinha ouvido os gritos, pois a garagem era do lado
oposto. O Padre disse estar já recolhido a fazer as suas
orações, quando ouviu os gritos fora do castelo, vestiu rapidamente a
vestimenta e veio ver o que se passava. Quando saia do quarto, Kátinha
apareceu com ar assustado à porta do seu quarto, que era ao lado do seu. Kátinha disse estar a fazer palavras cruzadas,
sentiu sede e quando se preparava para vir à cozinha, ouviu os gritos. Como
ainda estava vestida, saiu porta fora e desceu junto com o Padre. Frau J, disse que já estava deitada, pois o
jantar não lhe tinha caído muito bem. Tinha ido dar a injecção ao patrão e
notou que este estava esquisito. Estranhou ele ter-lhe pedido para lhe
arranjar uma capa para a chuva, mas fez-lhe a vontade. Pediu-lhe um livro que
ele tinha sobre uma pequena mesa, junto ao sofá onde se sentava e recolheu ao
seu quarto, para ler um pouco e tentar adormecer. Foi quando ouviu os gritos
do Tempicos, levantou-se da cama, vestiu o roupão e veio ver o que se
passava, encontrando já todos no hall do castelo. Santi perguntou aos presentes quem tinha entrado
no quarto do Marquês nesse dia. Só a enfermeira e a esposa disseram que lá
tinham entrado. Nessa altura ouviu-se o carro da polícia a chegar
e com eles uma ambulância. Os polícias entraram no Castelo, onde Santi os
cumprimentou e lhes disse: Mataram o Marquês e tentaram fazer o mesmo a
Tempicos, podem prender Frau J pois é ela a assassina. Só ela sabia da presença de Tempicos no local e
para que tinha vindo. Pesquisem as suas várias actividades e irão descobrir
que algures entre a Alemanha e a Argentina, andou a treinar de Guilherme
Tell. Leu a carta que o Marquês escondeu no livro, que ela pediu emprestado e
ficou a saber a hora e onde se encontrariam. Com as janelas do quarto viradas
para o bosque, esperou pela melhor hora e ficou feliz por ter tido a ideia de
lhe ter dado aquela capa bem colorida, que o Anardá costumava usar em dias de
chuva, que o tornava um alvo fácil, na penumbra do bosque. Tempicos estava
velho e caquéctico, mas andava desconfiado. Tinha descoberto que o patrão
corria riscos, felizmente ainda não desconfiara dela, mas podia chegar lá.
Por isso tinha também que o eliminar, mas aquela raiz estragou-lhe os planos.
Quando todos desceram, pegou no estetoscópio, para poder observar de perto o
patrão e ver se o serviço tinha sido bem feito. Uma mulher mesmo sendo
enfermeira, não dorme de estetoscópio ao pescoço e como todos puderam ver,
ela desce com ele, apesar de dizer que já estava na cama. Agora as razões que
a levaram a tal acto, isso cabe-vos a vós descobrir. Fontes: Blogue Repórter de
Ocasião, 6 de Setembro de 2026 TEMPICOS NO CASTELO DE CHAMBORG, Edições Fora da
Lei, Ano de 2011 |
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© DANIEL FALCÃO |
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