INTRÓITO

Uma iniciativa inédita nas páginas do Código Secreto

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EPISÓDIO 12.

DEMASIADAS NEGLIGÊNCIAS

Severina

– Veremos. Mas é a sua opinião que eu quero: o que me pode dizer sobre o Dr. Fortes?

– Que pouco o conheço, pois sabe que não vivo nesta terra…

Matos Vargas não ripostou logo. Afastou sem pressa a sua caneca vazia, inclinou-se ao cruzar os braços sobre a mesa e, olhando-me de frente, sustentou-me o olhar. – Deixe-se, disso, homem. Talvez devesse somente perguntar-lhe como tomou conhecimento do caso e o que pode averiguar…

– Porquê eu? Esqueceu-se que sou suspeito e me deu ordem de prisão?

– E depois? Não é verdade que o seu cachimbo estava ao lado do corpo do padre? Que faria você no meu lugar? Não quer ter oportunidade de se ilibar dessa suspeita? É o que estou a oferecer-lhe…

Levantou-se, foi até à janela e voltou a postar-se-me defronte.

– Preciso trabalhar e não posso contar com a ajuda dos guardas da GNR. Há por aqui demasiadas negligências que não me cheiram bem. Por exemplo: quem encontrou o corpo? Porque não chamaram um médico para atestar a morte? E o desaparecimento do corpo, não é estranho? Como posso ter a certeza se morreu ou está vivo? Preciso de qualquer indício para me orientar!

Já me informara junto do cabo da Guarda, mas não havia respostas concretas. Ninguém se assumia. E o Agente tinha razão; apresentava-se-me agora uma ocasião de expor o meu raciocínio e as conclusões a que chegara para poder suspeitar do Dr. Fortes, principalmente por o carro dele ter sido visto perto do sítio aonde o corpo aparecera. E não apenas isso!

 

Fontes:

Secção Código Secreto nº 227, 7 de Julho de 1988

Blogue Repórter de Ocasião, 24 de Junho de 2026

 

© DANIEL FALCÃO