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Uma iniciativa
inédita nas páginas do Código Secreto Episódio
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DIFERENTE | Samuel T. |
EPISÓDIO 4. A INVESTIGAÇÃO PARTICULAR Luís Correia Disse à jovem
que ia pensar nisso, isto é, que pensaria maduramente sobre a utilidade de
dar parte do lenço ensanguentado, ou não, à Judiciária, quando ela chegasse.
Devo dizer, desde já, que a minha situação era bastante delicada, ou tinha
começado a ser delicada a partir da altura em que eu, fazendo investigações
por minha conta, deixara no “escuro”, quanto à existência do lenço, o cabo da
Guarda, o que poderia, inclusivamente, vir a comprometer-me, tanto mais que
os homens da minha raça, isto é, investigadores particulares, eram o prato
favorito da oficialidade instituída, quanto mais não fosse, para chatear. E
sobretudo para chatear. Ter ou não ter
autorização para desempenhar a profissão era totalmente irrelevante para a
gula canibalesca dos “oficiais”, não propriamente por inveja pois que os
nossos caminhos raramente se cruzavam e, eu, fazia
mesmo os possíveis para passar suficientemente ao lado das patas de elefante
das instituições nacionalizadas da polícia. Era mais uma
questão do caça ao pato, sendo o Detective particular,
quer para a Guarda, quer para a Judiciária, assim como que o bobo da festa,
resumido a um frustradozito qualquer, no entender
das suas fartas meninges, e merecedor, por isso, dos mais variados mimos
verbais. Entretanto a
moça olhava-me ainda, como que tentando saber o que me ia por dentro, o que,
para um especialista que ela não era, seria fácil de entender confundido,
tanto que eu reparava agora que não tinha tirado os meus olhos dos seus
lábios, donde parecia querer sair o reflexo de uns dentes extraordinariamente
brancos. Assim, e como
o seu olhar continuava suspenso, senti-me na obrigação de lhe dizer qualquer
coisa mais. Fontes: Secção Código
Secreto nº 219, 12 de Maio de 1988 Blogue Repórter de
Ocasião, 29 de Abril de 2026 |
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© DANIEL FALCÃO |
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