INTRÓITO

Uma iniciativa inédita nas páginas do Código Secreto

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EPISÓDIO 7.

INDISPOSIÇÃO COMPROMETEDORA

Lourdes

– Como desapareceu!? Você não tinha o seu ajudante a olhar por ele?! Além disso os cadáveres não se põem a mexer assim, só porque começou a chover!

Não, não se põem a andar. A menos que não estejam mesmo mortos. Mas… tanto o senhor EFE, como eu e mais pessoas vimos que o homem estava mesmo morto!! Assim, alguém teve de o tirar de lá…!

Tinha sido um esforço de dedução, mas ele não respondera à minha pergunta. Daí que eu repetisse: – E o seu guarda, sendo assim, abandonou o local! Porquê?!

– Bem ele não tinha nada que fazer lá e pensou que podia ir à taberna beber um copo. Estava a sentir-se maldisposto. Compreende… aqui não estamos muito habituados a coisas destas… – e ao dizer isto a espingarda tremia encostada à sua perna, de uma forma que dispensava mais palavras.

Pensei que talvez fosse melhor dar uma saltada até à cidade e falar com alguém que desse umas dicas sobre aquele estranho médico, e inclusivamente pus-me a pensar se a ida à taberna do guarda, não teria sido demasiado providencial, isto é, se não estaria alguém, na altura, pronto a fazer aquilo que fizera (se é que fizera mesmo), pois era bem provável também que, ao fim e ao cabo, o homem não estivesse mesmo morto dada a precipitação com que cada um daqueles que se tinham debruçado sobre o corpo se retirara ao ver a mancha sangrenta na nuca do corpo deitado. Nesse caso, mesmo vivo, "o morto" não iria longe, e de certeza que o guarda nem sequer se preocupara em ver nas redondezas. Eu, por aquilo que conseguira ver, tinha quase a certeza que nenhum ser humano resistiria a um ferimento daqueles, mas o Guarda afastara-me de pronto e não me deixara ver quer a pulsação quer a respiração. Começava a ficar chateado, eu!

 

Fontes:

Secção Código Secreto nº 222, 2 de Junho de 1988

Blogue Repórter de Ocasião, 20 de Maio de 2026

 

© DANIEL FALCÃO