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Uma iniciativa
inédita nas páginas do Código Secreto Episódio
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COMPROMETEDORA | Lourdes |
EPISÓDIO 6. INSÓLITO DESAPARECIMENTO Freeman Quando me
bateram à porta daquela forma tão precipitada, a primeira coisa que me
apeteceu foi, ao abri-la, desferir um potente murro na cara de quem me vinha
importunar. Já com a mão no trinco, lembrei-me que poderia ser um dos pobres
que me visitavam, para que a minha modesta contribuição minorasse um
sofrimento que era da inteira responsabilidade da sociedade. Aliás, o
vertiginoso aumento da criminalidade não era, também, senão um reflexo da má
distribuição dos lucros por todos os envolvidos no processo da multiplicação
do capital. Abri a porta e
a minha prematura irritação desvaneceu-se perante a cara do cabo da GNR.
"O que se passa" – perguntei-lhe com a certeza de que algo de grave
o trazia ali. Gaguejando toda a confusão que lhe ia no pequeno cérebro,
habituado apenas a dividir o salário pelo número de coisas que a doença do
consumismo o obrigava a suportar mensalmente, o representante local das
forças da ordem balbuciou: – Ele… por
acaso… não está aqui?! Quando ouvi a
primeira palavra, solta por aquela garganta rouca de ansiedade, a imagem do padre
assaltou-me. Sabia como as notícias se espalham velozes nas terras pequenas e
decerto que, aos imaculados ouvidos do jesuíta, chegara já a notícia de que a
virgem da sua irmã mais nova viera visitar a fera acossada ao seu reduto. O
padre vinha, assim, saber o que se passara. – Não, ainda
não chegou, mas de certeza que dentro de pouco tempo me vem pedir contas
daquilo a que sou completamente alheio. – Mas… porque
tem de ele vir aqui falar consigo?? – Porque de
certeza já sabe que a irmã me veio visitar. – Mas, como
pode ele vir aqui se está morto? – Está morto?!
– interrompi eu aquele raciocínio que não levava a
nada. – Claro! Então
o cadáver que o senhor Mendes observou ainda há pouco não estava morto? – Sim! Mas se
é a esse cadáver que se refere, porque haveria ele de estar aqui?!? – Porque o
cadáver desapareceu! – disse o cabo dirigindo os
olhos para o infinito, ao mesmo tempo que o sangue me gelava. Fontes: Secção Código
Secreto nº 221, 26 de Maio de 1988 Blogue Repórter de
Ocasião, 13 de Maio de 2026 |
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© DANIEL FALCÃO |
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