Autor Data 24 de Março de 1983 Secção Mistério... Policiário [393] Competição Torneio
“Dos Reis ao S. Pedro” - 83 Problema nº 6 Publicação Mundo de Aventuras [493] |
A SEGUNDA MORTE EM CINCO ANOS NA
VIVENDA JÚLIA Alpha Dauphin – Ah! Ah! Ah! –
soam as estridentes gargalhadas das senhoras, justificando as excelentes
anedotas que o Luís Fonseca contava. – Ai!… Rir tanto
depois de jantar, deve fazer mal – comenta a obesa D. Sílvia. – Tens que ter
cuidado com a azia! – diz ela, dirigindo-se ao marido. Estes
acontecimentos desenrolam-se numa ampla vivenda situada no cimo de uma
pequena falésia, à beira-mar, para os lados de Sesimbra, numa noite quente de
Agosto. A vivenda é propriedade do sr. António Fonseca e de sua esposa, a D.
Maria Joana Correia Fonseca. Mas além destas duas personagens, estão também
presentes na referida vivenda, o Luís Fonseca, solteirão no pleno sentido da palavra,
irmão do dono da casa, e, um ano mais velho que este; o Francisco Correia,
irmão da dona da casa, e respectiva esposa, a D. Sílvia Correia. Todos os presentes
andavam à volta da chamada meia-idade. O dono da casa e respectivo
irmão nutrem a menos «elevadíssima» «estima» pelo «presunçoso» (entre outras
coisas mais) cunhado; esta «estima» é, aliás, mútua, e teve origem num
desentendimento nos negócios que deu origem a avultados prejuízos para as
empresas que os manos Fonseca, por um lado, e o Francisco Correia, por outro,
dirigem. Só à custa de
grandes sacrifícios as duas cunhadas tinham conseguido reunir por alguns dias
os três «amigalhaços»… Outra risada geral
indica a conclusão de outra anedota, que o Luís Fonseca prometera ser a
última. O dono da casa comenta que o café está atrasado e a esposa vai ver o
que aconteceu. Encontra a Antonieta, a criada (havia 3 dias na casa) já a
caminho, mas repara que na bandeja estão 5 cafés, quando deviam estar 4 cafés
e um chá, este último para o dono da casa, que invariavelmente bebe chá. A
criada volta à cozinha e pouco tempo depois volta com os 4 cafés e o chá, só
que desta vez a D. Joana verifica desesperada que falta uma colher para o
chá, pelo que a Antonieta interrompida a meio caminho pousa a bandeja e volta
novamente à cozinha para buscar a colher que falta. Finalmente, os
cafés e o chá são servidos e todos se preparam para ingerir os ditos, excepto
a D. Joana, cuja presença entretanto, na cozinha, fora solicitada pela_ cozinheira.
E as previsões da
D. Sílvia saem acertadas pois o marido começa a sentir-se mal do estômago,
pelo que o mano Fonseca mais novo, lhe cede o chá… Só que, algum
tempo depois, o sr. Francisco Correia sente-se ainda pior e a esposa logo
afirma que «as jantaradas têm sempre o mesmo resultado»… Mas o esposo está
cada vez pior e é chamado um médico. Quando este chega,
e não foi breve, apenas verifica o óbito. E é por isso que se instala um
ambiente carregado na «Vivenda Júlia» (a ilustre mãe dos manos Fonseca, e que
também ali findara os dias). Os risos de antes
são agora substituídos pelos choros angustiosos das senhoras. No dia seguinte, o
inspector Pontos apurara todos estes factos… E nós vamos saber que: O médico legista
diagnosticou morte por envenenamento, provocado pela ingestão de dose algo
elevada de arsénico, administrado, provavelmente, durante o jantar. Interrogada a
criada e a cozinheira (que servia a família Fonseca havia largos anos), estas
negaram categoricamente terem juntado arsénico a qualquer alimento e ignorarem,
absolutamente, que na casa houvesse arsénico. – No entanto –
dizia o inspector Pontes –alguém o juntou… 1
– Quem acha que foi o responsável pela morte do Francisco Correia? 2
– Explique convenientemente o seu raciocínio. |
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© DANIEL FALCÃO |
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