Autor Data 7 de Janeiro de 1994 Secção O Detective
- Zona A-Team [200] Publicação Jornal de Almada |
BRANCA DE NEVE E OS SETE ANÕES
ASSASSINOS… A. Raposo Esta
é a história macabra da Branca de Neve e dos Sete Anões! A
verdade é que os anos iam passando e os anões começavam a sentir-se
traumatizados pelo facto de não crescerem. A
harmonia da história da Branca de Neve e dos Sete Anões começava a dar para o
torto. Sem
se saber bem porquê, os anões atribuíam à magia da Branca – D. Branca, para
os mais íntimos – o facto de não terem crescido. Os
Sete Anões começaram a sentir o síndroma do anão.
Coisa que Freud explicaria se entrasse na história. Primeiro em grupos de dois
ou três, depois em conjunto, os anões começaram a conspirar. E
aqui começa o princípio do fim. Uma história triste, cheia de sangue, como
convém, para gáudio dos nossos vampirescos
leitores! Depois
de várias reuniões conspiratórias, os anões concluíram que só com a morte da Branca
de Neve podiam crescer e atingir a altura dos decifradores de problemas
policiais – entre 1,60 e 1,80 metros, aproximadamente. Ficou
decidido: o colectivo iria abatera Branca de Neve.
Todos e cada um iriam dar-lhe a facadinha!
Assumiriam a culpa colectiva e assim, se fossem
condenados, o que eram 25 anos de prisão a dividir por Sete? – Um gozo! – Umas
férias! E
mais, quando saíssem da prisão, já teriam a altura normal do comum dos mortais.
Guardaram a noite de fim de ano para a consumação do acto.
Teria um maior impacto. E assim foi. Escolheram
a altura em que a Branca de Neve estava a dormir, durante a noite. Um
a um, iam entrando no quarto e dando a facadinha.
Com Sete punhaladas, concluíram, a Branca de Neve ficaria suficientemente morta,
Depois, era só apresentarem-se na Polícia e pronto – todos assumiriam a
culpa. Porém,
nem nas histórias infantis, a vida corre assim tão fácil. O polícia de
serviço, não estava interessado em engavetar os Sete Anões. Queria saber,
qual deles, com a sua facadinha, a tinha morto.
Seguiu-se o tradicional inquérito e assim, o polícia dirigiu-se ao quarto da
Branca de Neve afim de fazer a observação do local
do crime. Bem,
como devem calcular, o quarto da Branca de Neve era de sonho. Uma sala
grande, com uma cama enorme e as roupas de cor celestial. À cabeceira, um
espelho bisoté a todo o comprimento e largura da
parede do quarto. Mobiliário,
muito pouco. Ao fundo do quarto um enorme relógio de pé, daqueles com
contrapesos, lindo de morrer, na direcção dos pés
da cama da Branca. Uma pequena mesa de cabeceira.
Uma escrivaninha, junto à janela, a qual ficava do lado direito de quem
entrava no quarto. No centro do tecto um enorme
candeeiro, sempre aceso, dava ao quarto dia mesmo que fosse noite. Tapetes pelo
chão e um banquinho junto à cama para facilitar a subida. É necessário esclarecer
que a Branca de Neve dormia sozinha! Os anões dormiam todos no quarto ao
lado, numa cama curta, mas bastante larga, onde os Sete se aninhavam
perfeitamente, tipo sardinha em lata! Na
noite do crime, os anõezinhos iam saindo, por ordem numérica, a intervalos
regulares – quinze minutos – dirigiam-se ao quarto da Branca, no corpo da
qual deixavam cravados os punhais. Eis
a recolha de dados feita pela polícia aos Sete Anões: ANÃO
nº 1 – Fui eu que iniciei a jogada. Temos um relógio no nosso quarto que
assinala os quartos de hora. Eu fui quando bateu um número impar. O anão nº 2
foi no primeiro quarto de hora a seguir à minha hora
e seguiram-se os outros sempre com intervalos regulares de quinze minutos.
Não digo qual a hora que fui. Você que é polícia que resolva. ANÃO
nº 2 – Quando lá cheguei já tinha um punhal cravado. Vi no relógio da Branca
o mesmo marcar 8.45 H quando levantava a mão no ar, escarranchado nas pernas
dela. ANÃO
nº 3 – Vi as horas, ao entrar, no quarto da Branca, antes de me dirigir para
a cama dela. Eram 9.30 H – juro! ANÃO
nº 4 – Não reparei em nada – dei a punhalada e vim-me embora. ANÃO
nº 5 – Não sei de nada – só sei que já lá contavam 4 punhais. Quando dei a
minha facadinha, olhei para a cabeceira da cama
dela e vi no relógio que já marcava 12.10 H – ou seja, passavam dez minutos
da meia-noite. ANÃO
nº 6 – Só sei que com o meu punhal fez meia dúzia! ANÃO
nº 7 – Fui o último. Todos nós a matámos, a culpa é do colectivo. O
polícia veio a saber que a morte – através de um golpe fatal – tinha sido às
dez da noite – nem mais, nem menos! Os
anões tinham dado a Branca um forte sedativo ao jantar para ela não sentir a
morte e é um facto tinham dado cada um a sua facadinha
– para ela não acordar viva! Pergunta-se:
Quem foi o anão da facadinha mortal? |
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© DANIEL FALCÃO |
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