Autores

A. Raposo

 

Data

21 de Julho de 1995

 

Secção

O Detective - Zona A-Team [243]

 

Competição

Torneio dos Convívios

Problema nº 6 | Convívio da Colina do Sol (Amadora)

 

Publicação

Jornal de Almada

 

 

CRIME NA VIVENDA SLONBERG

A. Raposo

 

Era uma linda tarde de sol.

O Inspector Dick Tempicos entrou no seu Maserati pela rampa de acesso à vivenda Slonberg.

Deixou deslizar o carro pela pedra solta até estancar sob um telheiro ornado de trepadeiras.

Da porta principal saiu um sujeito, Gordo e Forte, de impecável Fato Preto. Aproximou-se do detective, Ajudou, solicito a abrir a porta do carro e numa vénia discreta apresentou-se: Stratopoulos. Sou o mordomo. Madame Slonberg aguarda a sua chegada, na biblioteca. Queira seguir-me. Dick limpou os pés no grosso tapete na entrada e entrou naquela luxuosa vivenda.

Por todo o lado peças de arte. Quadros. Jarrões. Estatuetas.

Subiu a escadaria acompanhado do mordomo. Este abriu a porta da biblioteca e fechou-a após Dick ter penetrado. O mordomo sumiu em silêncio.

 

Num vasto canapé forrado a pele, estava alongada a marquesa. Um ar jovem. Uma cara de Porcelana. Olhos húmidos e brilhantes-verdes, enquadrados por linda cabeleira loura, ondulante. Parecia um anúncio de uma marca de whisky – Pensou Dick – com aquela luz difusa que um espesso cortinado deixava coar.

Madame Slonberg teria talvez 30 anos, fogosos e bem tratados. Os olhos de Dick incidiram nas esbeltas formas corporais da madame. Um peito bem talhado. Umas pernas claras e longas, como as noites de insónia.

Sobre uma pesada mesa de Carvalho, decorada com candelabros, um vasto prato com frutas tropicais. Dick começou a salivar, não obstante ter almoçado havia pouco.

Madame Slonberg emergiu do canapé e fixou Dick: – mandei-o chamar por saber da sua fama. Queria ouvir o seu parecer. O meu marido foi morto.

Ontem à noite. Está na morgue de Albufeira. Quero saber quem o matou.

– Ok – balbuciou Dick – conte-me o que se passou.

– Eu, e Mr. Sionberg, dormimos em quartos separados. Acordei ontem à noite com um ruído de vozes em altercação. Depois ouvi um ruído como se alguém tivesse caído na piscina.

Levantei-me e fui espreitar à janela. Não precisei acender luzes. Havia luar. Não vi nada na piscina. Voltei a deitar-me. Pensei que talvez estivesse a sonhar. Voltei a adormecer. Acordei tarde.

– Tomei nota do depoimento e saí. Fui até à morgue, ver o corpo.

Na morgue, o médico que tinha feito uma análise ao corpo, confirmou-me, que a morte se tinha verificado junto à meia noite.

O corpo tinha levado um tiro de arma com silenciador.

Morte instantânea. No coração. Tinha caído na piscina após o tiro. Aparentava os seus 60 anos.

Tudo nos conformes – pensei.

Voltei a verificar os apontamentos anotados no carnet, que tinha feito ao restante pessoal da vivenda Slonberg:

 

Praia da Oura – 91/6/13 – 4 h da tarde (Caso Slonberg)

Depoimento do mordomo:

Por volta da 1 h da Manhã ouvi uns barulhos como se alguém tivesse mergulhado na piscina.

Como, às vezes, a marquesa vem tomar banho à noite não liguei. E continuei a ver o programa da TVE.

Era uma espécie de jogos sem Fronteiras passado no largo de Badajoz – junto à câmara Municipal.

É por isso que vi as horas, no relógio da Câmara era uma da manhã quando do barulho na piscina. Lembro-me Perfeitamente.

Na manhã – por volta das 10 H, quando me dirigi à piscina encontrei o corpo do marquês dentro de água. Telefonei à polícia imediatamente.

Depoimento da criada:

Deitei-me cedo. Estava a ler na cama. Era meia noite e dez ouvi uma discussão. Pareceu-me ser a madame e a voz de um homem. Passados uns dez minutos ouvi um corpo a mergulhar na piscina. Lembro-me bem da hora porque olhei o relógio que tenho por cima da cama através do espelho, do guarda fato, que está aos pés da minha cama.

Não me preocupei multo porque a madame costuma tornar banho na piscina durante a noite.

 

PERGUNTA-SE

1 – Quem mente?

2 – Quem matou?

3 – Explique-se.

 

SOLUÇÃO

© DANIEL FALCÃO