Autor

A. Raposo & Lena

 

Data

10 de Maio de 2015

 

Secção

Policiário [1240]

 

Competição

Campeonato Nacional e Taça de Portugal – 2015

Prova nº 4 (Parte II)

 

Publicação

Público

 

 

D. PAYO QUE ESTÁS NO CÉU

A. Raposo & Lena

 

Como os meus amigos muito bem sabem e se não sabem ficam a saber, D. Payo um ilustre e antigo português dos sete costados foi assassinado. Ele que era amigo e companheiro de armas do que viria a ser rei ¬o Mestre de Avis.

E tal facto não sucedeu somente para que um problema policial se fizesse. Nada disso. D. Payo foi assassinado e nunca se soube quem o matou. Muito menos o porquê. O como ainda foi possível coligir. Foi assassinado com um punhal que lhe entrou nas costas apanhou o carinhoso coração e faleceu definitivamente.

Atendendo à sua posição social, à feitura de obras pias, e ainda à indesmentível fé, seguiu para o Céu, sem favores, sem cunhas, simplesmente por mérito próprio.

Foi uma entrada direta, sem paragens ou desvios. Homens como D. Payo, raramente se encontram mesmo procurando muito.

Quando chegou ao Céu, introduziu nos hóspedes o gosto pelas artes. A harpa e a dança passaram a ser o passatempo mais useiro. 

Porém, andar a tocar harpa, saltitando de nuvem em nuvem também satura. Com o passar dos anos começou a chegar o pessoal que vinha do limbo onde havia há imenso tempo obras. Começaram todos a ficar apertadinhos e aborrecidos como sucedeu posteriormente nas urgências dos hospitais do SNS.

A malta do limbo era rebelde e não acatava as ordens. Aos poucos o Céu era um autêntico Inferno.

Muita gente ligada ao empréstimo de dinheiro a juros, e até consta que o jogo da “vermelhinha” já era praticado às escâncaras pois o Mestre S. Pedro estava com cataratas e tudo lhe passava ao lado. A rapaziada chamava ao jogo da vermelhinha o “Banco bom” vá-se lá saber porquê.

D. Payo bem tentava manter o nível, mas em vão, as más condutas tinham substituído os bons costumes. E é já nesta fase de bagunça que aparece um personagem que vem estragar ainda mais o clima.

Do Convento da Conceição de Beja, apresentava-se a freira D. Mariana Alcoforado.

Uma figura cuja guia de marcha indiciava uma senhora virgem e pura. Causa mortis: Amor não correspondido.

Além de cartas de recomendação trazia na ponta da língua uma história que não condizia muito com a condição de freira.

E não teve o menor pejo em acusar D. Payo (que aliás afirmou não a conhecer de lado nenhum) de ser um femeeiro do piorio e ter desgraçado, lá no Convento, três noviças, duma assentada. D. Mariana afirmou e jurou que era verdade e ela própria observou, escondida atrás da porta da sacristia.

D. Payo nem sabia como se defender. Afirmou que nem conhecia Beja. Tampouco Mariana e não era homem para essas coisas. Apresentava-se como um respeitador de virtudes, com um passado por todos reconhecido. Nos tempos escolares tinha por alcunha o “rebuçado de alteia e mel”, entre a estudantada.

Mas nada melhor que um pequeno escândalo para arrebitar as orelhas ao pessoal e o pior é quando o individuo é condenado na praça pública. Acaba politicamente morto e o pior ainda poderia surgir: as fugas de informação que passavam entre as nuvens.

O pessoal sabia que D. Mariana Alcoforado tinha fama de alcoviteira, tinha a mania de escrever umas coisas e apesar de estar no Convento desde os 12 anos, constava que tinha tido um amor com um nobre. Talvez um amor platónico. Nestas coisas o melhor é não dar importância ao diz que disse pois até nós gostamos de uma história com um bom escândalo mas não gostamos que se saiba. Por isso: cala-te boca.

Pergunta-se aos nossos leitores e pede-se que escolhem a frase verdadeira dentre as seguintes:

 

1 – D. Payo está inocente.

2 – D. Payo é culpado dos delitos apontados pela freira.

3 – Dona Mariana Alcoforado diz-se que se enamorou dum Marquês Espanhol.

4 – Consta que o livro “les lettres françaises” foi escrito pela Mariana Alcoforado.

 

SOLUÇÃO

© DANIEL FALCÃO