Autor

Bernie Leceiro

 

Data

10 de Abril de 2026

 

Secção

O Desafio dos Enigmas [238]

 

Competição

Torneio “Solução à Vista!” – 2026

Problema nº 3

 

Publicação

Audiência GP Grande Porto

 

 

Solução de:

TO ROME WITH LOVE

Bernie Leceiro

 

Comecemos pelo fim:

Alves da Selva decidiu iniciar a sua busca pelo lado Norte da praça, pois o larápio equipado com a camisola nº 21 foi nessa direção. Como deduziu que se tratasse de um adepto e fervoroso seguidor do jogador Paulo Dybala dono da camisola 21 da AS Roma, que também usa duas listas horizontais tatuadas no braço esquerdo, tal como seu ídolo, que Ferreirinha viu no braço do ladrão que assaltou a sua bolsa. Um tiffosi ferrenho da famosa curva sud do Estádio Olímpico de Roma.

Relativamente ao sonho de Alves da Selva, foi um mix de todas as emoções vividas durante o intenso dia de turista em Roma. A ação passa-se n’ A Escola de Atenas uma das mais famosas pinturas do renascentista italiano Rafael e representa a Academia de Atenas. Foi pintada entre 1509 e 1510 na Sala da Assinatura (Stanza della Segnatura), hoje chamada de Salas de Rafael, situado no Palácio Apostólico no Vaticano. Foi a primeira das salas a ser decorada pelo pintor renascentista italiano Rafael, entre 1508 e 1511, encomenda do Vaticano. A pintura já foi descrita como “a obra-prima de Rafael e a personificação perfeita do espírito clássico da Renascença”.

Alves da Selva personificou a figura de Hypatia de Alexandria e Parmenides e foi nessa figura que deambulou pelo meio de todos os filósofos e pensadores, Heráclito, Diógenes, Euclides, Ptolomeu, Pitágoras, Epicuro entre muitos outros.

Quando estava próximo de Pitágoras, o personagem roubado, viu – de acordo com a interpretação do autor do problema – um rapaz a roubar a tábua da harmonia musical – alguns historiadores entendem que o rapaz apenas segura a tábua perante Pitágoras, Alves da Selva no seu sonho, num olhar mais perspicaz e atento, entende que o rapaz rouba Pitágoras, o que do ponto de vista policiário é bastante mais interessante!

 

A tábua da harmonia musical

O estudo da música, como fenômeno estético, cultural e científico, vem ocorrendo pelo menos desde o século 6 AC, na Grécia antiga. Lá, a música era parte da educação formal dos cidadãos, o que instigou filósofos a ponderarem sobre sua origem, função e significado. No século 6 AC, Pitágoras acreditava que a música devia ser analisada matematicamente e que só assim poderia ser tratada como ciência. Ele postulava que a função da música é trazer harmonia à alma humana. Pitágoras estabeleceu as bases matemáticas para a consolidação de uma importante escala musical; hoje conhecida como escala pitagórica ou justa. Esta escala tem 12 notas e é gerada pelos modos naturais de vibração de uma corda retesada, dada na razão aritmética das proporções entre as frequências fundamentais das notas que a compõem; de 2 para 1 (representando uma oitava) e de 3 para 2 (representando uma quinta justa). Este intervalo permite, através do chamado “ciclo das quintas“, definir uma escala cromática de 12 notas entre uma oitava, aproximadamente distanciadas por um semitom (futuramente falaremos mais a respeito deste tópico). Pitágoras argumentava que todos os fenômenos objetivos e subjetivos poderiam um dia vir a ser descritos através da matemática. Do mesmo modo que outros filósofos pré-socráticos, Pitágoras também acreditava nos poderes medicinais da música; conceito este que foi posteriormente adotado também por Platão e Aristóteles.

© DANIEL FALCÃO