Autor Data 15 de Fevereiro de 1986 Secção Mistério... Policiário [462] Competição Torneio
Policiário "Iniciados" Problema nº 2 Publicação Mundo de Aventuras [569] |
TENTATIVA DE ASSASSÍNIO… Bob Tavis O inspector
Saturno, acompanhado por dois polícias, chega ao local do sinistro, onde
ardia, de rodas quase voltadas para o ar, uma carcaça de viatura com aspecto
de ser um «Mercedes»… e na realidade, fora um «Mercedes»! Mais além, a
multidão fazia círculo ao redor de dois homens que se insultavam mutuamente… – Você é um
assassino! – Não me chame
isso, velho coruja!… O inspector
abriu passagem, apresentou-se e aconselhou calma. – Senhor
inspector… Eu sou Daniel Dias, o dono daquela carcaça incendiada. Ia a
iniciar a viagem para visitar uma das minhas fábricas quando, a certa altura,
notei que havia algo num pneu. Talvez furo. Saí do carro, já preparado para
mudar o pneu e… aquilo aconteceu… Olhe, senhor inspector, se não tem havido o
furo… – Inspector,
os bombeiros entregaram este pedaço de cobre e platina aos técnicos que analisam
os destroços, que o informaram que isto pertenceu a uma bomba relógio… – disse
um dos polícias. O inspector
deu uma olhadela e continuou a conversa: – Muito bem, senhor
Daniel; contou da sua viagem a alguém? – Bem, não era
segredo… Foi ontem combinado com a minha mulher e o meu filho. Ah!… Esse
sanguessuga… Esse Luís Filipe, também sabia… – Eu não sabia
de viagem nenhuma; juro que nunca ouvi absolutamente nada de viagens ou de
passeios… – ripostou o atingido. – Sabia, sim!
Eu apanhei-o a escutar à porta do meu escritório… Mas não quis «levantar ondas»…
E enquanto os
técnicos acabavam de analisar os destroços da viatura, nó canhenho do inspector
foram sendo registados mais os seguintes dados, que ia obtendo em conversas
particulares com os directamente ligados ao caso: Daniel Dias:
Ontem andei por fora no «Mercedes», como aliás o faço sempre. Cheguei pelas
vinte horas, pus o carro na garagem e subi para o escritório quando o meu
filho vinha a chegar. Estava a discutir os pormenores da viagem com a minha
mulher quando dei com aquele verme a escutar à porta… Tony (filho do
Daniel Dias): Ontem cheguei a casa quase ao mesmo tempo que o meu pai e ambos
deixámos os carros arrumados na garagem. Não ouvi nenhuma discussão, soube da
viagem e cerca da meia-noite fui para o meu quarto. Só muito depois disso vi
o Luís, pela porta entreaberta, que acabou por entrar no meu quarto, pedindo-me
que a acordasse antes das oito… Luís Filipe
(cunhado do Daniel Dias): Ontem recebi alguns amigos. Fomos dar uma volta e
regressei às 19 e pouco. Depois do jantar, fui para o meu quarto e por ali
fiquei a ver TV. Quando me preparava para me deitar e adormecer, lembrei-me
que o meu despertador estava avariado e fui ao quarto do Tony pedir-lhe que
me acordasse antes das oito. E aquele velho coruja que páre de me acusar,
pois tanto me interessa que ele vá a Faro ou aonde quer que seja… Arlinda
(mulher do Daniel Dias e irmã do Luís Filipe): Cheguei a casa cerca das oito
da noite e já cá estavam o meu marido, o meu filho e o Luís. Jantámos, e
depois, eu, meu marido e meu filho fomos para o escritório, tratámos de
vários assuntos, vimos TV e depois recolhemo-nos. A meio da noite levantei-me
para ir à cozinha por umas coisas que tinha no frigorífico, mas não dei por
luzes acesas, nem nada de estranho… Perguntada
pelo inspector se, enquanto no escritório, deram por algum a escutar à porta,
respondera: – Julgámos
perceber qualquer ruído no corredor, mas como os criados pediram para ir a um
casamento, meu marido, sempre desconfiado, aproximou-se, abriu a porta de
repente e espreitou para o corredor. Não disse, nem fez qualquer gesto com as
mãos. Apenas meneou a cabeça.. – Inspector!
Deixe isso que o seguro paga – diz-lhe um dos polícias a interromper-lhe as
congeminações. O inspector
Xavier, pareceu não o ouvir, pois, como se falasse consigo mesmo: – Sem
impressões digitais no engenho, como… – Ora,
inspector… – atalha o outro polícia. – Há várias maneiras de se esfolar um… assassino
em potência! E aqui termina
aquilo que eu sei. Aos jovens, pergunta-se: 1 – Em vossa
opinião quem foi que colocou a bomba no «Mercedes? 2 – Explique
convenientemente a sua escolha.
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© DANIEL FALCÃO |
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