|
Autor Data 23 de Março de 1963 Secção Página
Policial [10] Publicação Correio do Ribatejo |
Solução de: O RAPTO DE RUI… Capin Vejamos, por
exclusão de partes: 1º – O
padeiro não podia ter sido pois era um moço forte e alto; as pègadas não lhe
correspondiam visto que não seriam normais, dada a proporção que há entre a
altura e troncatura e a medida dos pés. Ele não conhecia a casa nem seria
homem de Wodka. As suas impressões digitais ficaram marcadas. 2º – Paulo,
de 16 anos, tinha ido com os primos para o centro da cidade. Era novo e
magro. Não se apresentaria, como disse a criada, como sendo um indivíduo
forte e gordo e ao mesmo tempo com marcas de sapatos normais. Por certo que
também deixava impressões digitais. 3º – O
senhor Silva, que trazia o cabelo molhado, deixara-se ficar em casa, contra
seu hábito, porquê? Não tinha ele carro? Não podia continuar os seus hábitos
sem se preocupar com o problema do tempo que fazia? Porque não trouxe ele o
chapéu e veio de cabeça descoberta, se era seu hábito andar de chapéu?! Era um
indivíduo conhecedor dos cantos da casa a ponto de poder utilizar o segundo
corredor que dava para o «hall» e que poderia muito bem ter sido o autor das
pègadas dado o seu físico normal. Era o único homem que poderia proceder
assim, e que, com as habituais luvas de couro não deixava impressões
digitais. 4º – Dado
esse caso a criada teria mentido. E mentiu mesmo. Se não, deduzamos: a) – Diz ela
que pensou que fossem os patrões que tocaram na campainha! Não tinham chave
da casa? Não ouvia o barulho do carro? b) – Como é
possível atacar-se uma pessoa com algodão embebido em clorofórmio até a inanimar
e, ela voltar a si passados dez minutos? Demoraria mais tempo, pelo menos, na
melhor das hipóteses, meia hora. c) – Como é
possível uma pessoa despertar dum estado anestésico e desatar a correr pela
casa e depois pela escadaria? Não! Esse estado de espécie de embriaguês
clorofórmica, anestésica, obrigava-a a cambalear ainda durante horas e não a
deixava correr, como ela disse. d) – Se
chovia bastante e se o caminho de cimento estava enlameado, e ela diz que
correu pela escadaria abaixo até à rua, onde estão as suas pègadas dentro de
casa? Ela não fala em limpar os sapatos. Ela correu e só parou no telefone. e) – Como
lhe passou pela cabeça ir directamente ao quarto dos miudos? O estado em que
se encontrava não lhe permitia raciocinar com essa precisão. Raciocinar ao
ponto de olhar para o relógio e ver as horas. Fraco raciocínio! f) – Um
homem forte e gordo, não deixa pègadas de homem normal. Ela mentira. g) – Quem
abrira o portão de entrada para o jardim, ao senhor gordo? O portão, com mola
recuperadora volta a fechar, sempre que se abre. Então houve
conivência da parte da criada. Preparou
tudo com o senhor Silva. Agora se explicam as marcas dos seus dedos nos
cortinados. Cuidadosa, mas agora, nervosa, talvez lavasse a louça e, ao ouvir
chegar um carro ou tocar à campainha afastou os cortinados para olhar para a
rua, para ver quem era, e deixou lá as marcas dos dedos. E agora se
explica porque o senhor Silva não trouxera chapéu. Ele estava molhado e
denunciava-o, dadas as suas declarações. Sim, porque
ele não ia levar guarda-chuva até à porta de casa, pois ia efectuar um
trabalho em que aquele guarda-chuva complicava, e molhou o chapéu; mas não o
trouxe como era seu hábito e isso denunciou-o também. Quanto ao viajante e a leiteira eram escusadas as
suas declarações. |
|
© DANIEL FALCÃO |
|
|
|
|