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Autor Data 19 de Abril de 1985 Secção Badaladas
da T.P.O. [11] Competição Problema nº 9 Publicação Badaladas |
AMÉRICA! AMÉRICA! Carlos Estegano Quando à saída de Fresno virei o meu
VW para El Prado tinha, segundo o conta quilómetros feito um longo percurso. O telefonema de Linda Carter fizera
com que eu deixasse «La dolce vita». O calor era imenso. Percorrera mais de
400 kms. Aproximava-me de El Prado virando à esquerda,
para La Estacada. Enquanto o cano protestava pelo esforço da subida, eu.
fumando o último cigarro do maço, relembrava Bill Carter. Casara dois anos
antes com Linda e, deixando as empresas dirigidas por homens de confiança,
como Henry Shore refugiara-se em La Estacada,
dedicando-se a Linda, ao montanhismo e à sua Biblioteca de Clássicos. Agora estava morto. La Estacada é um enorme quadrado com
22 metros de lado. Nos seus muros com quase 4 metros de altura, e um de
espessura, Bill mandara abrir amplas janelas, uma por cada sala. Quem, como
eu, viesse do exterior, veria a meio de um dos lados a estrada principal
tendo do lado esquerdo uma grande garagem e, do outro, as janelas de dois
quartos. No interior de La Estacada havia um quadrado ajardinado de 10 metros
de lado, com 4 passeios de mosaicos vidrados que da entrada principal, do
escritório do quarto das Visitas e da sala de jantar iam dar ao centro do
jardim onde Bill fizera edificar um quiosque. Circundando o jardim havia uma
galeria quadrada, de tipo colonial, e entre esta e os velhos muros, as
diversas dependências. Assim, quer entrassemos pela
entrada principal ou pela garagem, tínhamos do lado esquerdo a sala de visitas.
o escritório e a biblioteca, seguindo-se a sala de jantar e a copa; e do lado
direito os dois quartos uma casa de banho, o quarto das visitas, a dispensa,
e cozinha, ligada à copa. Pela galeria entrava-se em todas as dependências excepto na dispensa e na cozinha, cuja entrada era pela
copa. Interiormente podia-se ir da sala de visitas até à dispensa, passando
pelas diversas dependências. Ken, um dos criados, levou-me de imediato
ao escritório onde se
achavam, além de Linda,
Cindy e Kenny, filhos do primeiro casamento de Bill;
o sobrinho de Bill, William Jones; Margareth, Mark e Richard, pessoal da
mansão; o advogado de Bill, Henry Shore; o médico legista:
e o Tenente Frank, da secção de Homicídios da Polícia de Sacramento. O corpo de Bill fora já removido.
Aparecera morto no quiosque do jardim tendo na mão direita uma Walter’s 6,35 e no frontal direito um buraco de bala
provocado por disparo da arma, que era sua. No chão do quiosque fora
encontrada a respectiva cápsula… Ninguém ouvira o disparo. O corpo fora descoberto por Richard, o
jardineiro, cerca das 10 da manhã, quando regressara das compras a El Prado,
onde fora a mando de Linda. O médico calculara a hora da morte às 9,30. Aos gritos de alarme de Richard sairam da cozinha Linda, o cozinheiro Mark e a criada
Margareth, que desde as 9,20 faziam os preparativos para o almoço. O
motorista Ken, e William apareceram instantes depois
vindos da garagem, onde desde a saída de Richard tinham estado a afinar o
motor do «bólide» com que William contava entrar numa prova automobilística,
4 dias mais tarde. Cindy e Kenny tinham chegado cerca
do meio dia, vindos de S. Francisco, donde haviam saído de manhã cedo, para
almoçarem e passarem o fim de semana em La Estacada. Henry Share estivera no
escritório com Bill das 9,10 às 9,25, quando Bìll saíra
para o quiosque por o barulho infernal provocado pelas grandes acelerações do
carro de William, não o deixar concentrar-se. Henry continuara a trabalhar
sozinho até que o alarido dos demais despertou a atenção. Pelas fotografias tiradas pela Polícia
pude ver Bill sentado num cadeirão, ligeiramente descaído para a sua
esquerda, as pernas em diagonal, com os pés para a direita; a mão esquerda metida
debaixo do corpo; a cabeça descaída para a frente, com uma pequena mancha de
sangue, e dois fios de sangue escorridos na face, quase até à ponta do nariz.
O casaco e as calças tinham 3 ou 4 pingos de sangue. A mão direita, com a
arma, estava pousada entre as pernas. Saí da sala em direcção
ao quiosque pelo caminho mais perto. Nos mosaicos havia um longo mas ténue
risco, como uma borracha faz ao passar por papel. No quiosque nada encontrei
além do cadeirão ainda com dois pingos de sangue no espaldar. Regressei ao escritório ainda a tempo
de ouvir o Tenente Frank dizer que o caso ia ser encerrado provado que estava
o suicídio. Sentei-me no único dos maples que não
tinha almofadão e, ante a admiração de todos, disse-lhes que Bill tinha sido assassinado
e o crime cometido por… Pergunta-se: 1) Tem Estegano
razão? 2) Quem acusou ele? 3) Como chegou a essa conclusão? Nota – Faça um relatório completo,
afastando os outros suspeitos, e indicando todos elementos susceptíveis de reconstruir os factos. |
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© DANIEL FALCÃO |
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