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Autor Data Outubro-Novembro de 1982 Secção Competição Problema nº 6 Publicação XYZ-Magazine [25] |
A ESTUFA FATÍDICA Cisne Real Osodrac! A sombra negra da Polícia, acérrimo defensor dos
inocentes e inimigo implacável dos criminosos, vamos encontrá-lo em acção no palacete onde tinha falecido, em nisteriosas condições, o multimilionário Ruber. Chamado angustiosamente pela sobrinha do defunto, do qual era amigo, Osodrac não se
fez esperar. À entrada da avenida que dava acesso ao palacete, encontrara--se
com o seu rival, o inspector Rotiv. Este mal o viu,
exclamou: – Maldição! Você aparece sempre, como uma sombra que não me larga.
Qualquer dia ponho-o no «xadrez» e
acabo, assim, com a sua intolerável presença. – Calma, muita calma, meu caro – aconselhou Osodrac, com ironia. – Apareço
agora porque fui chamado. E… com respeito ao «xadrez» ainda não se forjou a chave com que o senhor me há-de encerrar neste jogo. Depois destas palavras e de mais uns resmungos indecifráveis do inspector, entraram na residência do multimilionário. Recebidos pelo mordomo, dirigirem-se para a estufa onde Ruber
encontrara a morte. O cadáver jazia de bruços, estendido no chão de mármore,
no interior da estufa, entre canteiros bem tratados de lindas tulipas. No
alto da cabeça uma extensa e profunda brecha, donde brotavam largos fios de
sangue que lhe escorriam pela testa. O inspector
olhando para o vaso intacto de fina porcelana, e para a terra que juntamente
com as tulipas se espalhavam pelo chão debaixo do corpo de Ruber, disse a Osodrac: –
Trata-se de fatal acidente. Portanto a sua presença, caro Osodrac, vaidosamente acentuada
pela fama de grande decifrador de crimes, torna-se, neste momento, supérflua.
A vítima, como facilmente se depreende, escorregou quando segurava nas mãos o
vaso das tulipas. Caiu para a frente, é claro, e bateu com a testa no chão,
causando-lhe a morte… – Pois meu caro inspector, na minha opinião,
trata-se efectivamente de… Interrompemos nesta altura Osodrac para perguntar qual é a vossa opinião: ACIDENTE OU
CRIME? PORQUÊ? |
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© DANIEL FALCÃO |
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