Autor

Detective Misterioso

 

Data

25 de Janeiro de 1985

 

Secção

Badaladas da T.P.O. [5]

 

Competição

Torneio Sete de Espadas

Problema nº 4

 

Publicação

Badaladas

 

 

UM CASO CONSUMADO

Detective Misterioso

 

Quem, cerca das 10,30 horas da noite visse, subindo a Avenida como que um bólide, aquele «Opel», não suporia que o seu condutor ia em serviço da Justiça. «Quim» que depois de solicitado se dirigia a toda a velocidade para o local da ocorrência.

O caso conta-se em poucas palavras:

Soavam as 22 horas quando o Inspector «Quim» foi procurado em sua casa por certo indivíduo de porte distinto, mas de tal modo afogueado, que mal podia falar. Convidado a entrar e a sentar-se, só depois de retemperar forças se resolveu a expôr o seu assunto.

– Necessito da sua ajuda. – Foi assim que iniciou. – Há momentos, quando me dirigi a casa do meu amigo Lacerda, para a nossa habitual partida de xadrez, toquei por várias vezes à campainha da porta do seu apartamento sem contudo obter resposta. Preocupado, espreitei pelo buraco da fechadura, tendo sido grande o meu espanto ao verificar que o meu amigo jazia caído. Logo constatei que estava morto, pois do ferimento que tinha no peito o sangue já havia coagulado, pelo que resolvi pedir o seu auxílio sem perda de tempo.

Terminada, a narrativa, o inspector «Quim» vestiu o seu sobretudo e convidou o homem a acompanhá-lo. Cerca de 15 minutos demorou o trajecto até ao apartamento de Lacerda, que se situava num luxuoso prédio, recentemente construído para os lados de Alvalade.

Ao pretender entrar, verificou a impossibilidade de abrir a porta sem a arrombar. Valeu-lhe no entanto a porteira, que, por ter a seu cargo a limpeza  do apartamento, possuía uma chave em duplicado.

Aberta a porta foi com dificuldade que passaram para o interior, pois o corpo caído junto daquela, mal permitia a sua abertura.

Depois de ligar a luz, o Inspector «Quim» notou que Lacerda, caído de bruços paralelamente à porta, apertava na mão direita uma automática. Virou o corpo e, na alva camisa, junto a um pequeno orifício produzido por uma bala, era visível uma mancha de sangue.

Do exame minucioso feito ao apartamento nada mais digno de nota se registou, porém o Inspector «Quim» já sabia o suficiente para dar aquele caso como consumado.

Cabe agora aos caros confrades elaborarem os seus relatórios, expondo a que conclusão chegou o Inspector.

 

 

SOLUÇÃO

© DANIEL FALCÃO