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Autor Data 30 de Outubro de 2026 Secção Página
Policial [5] Publicação Correio do Ribatejo |
A MORTE DO FILÓLOGO Domingos Cabral Surpreendido por ter deixado de registar
a presença no seu estabelecimento do prestigiado filólogo Alberto Moreno –
ultimamente muito referenciado na comunicação social pela defesa que exercia
do acordo ortográfico recentemente implementado – estranheza secundada por
alguma vizinhança, o comerciante decidiu comunicar a situação à Polícia.
Comparecendo na moradia e não tendo conseguido resposta do locatário, pelos
Bombeiros foi arrombada a porta de entrada. No interior confirmaram-se as piores expectativas:
o filólogo foi encontrado cadáver, com indícios de o ser há algum tempo. O
corpo estava sentado à secretária, com a cabeça caída sobre esta, na qual era
visível, no lado esquerdo, o furo chamuscado da entrada de uma bala; na mão
uma pistola e no chão uma cápsula deflagrada. Na secretária uma mancha de sangue seco, e um
computador portátil que tinha, sobre ele, uma folha de papel com uma mensagem
do seguinte teor: ADEUS MUNDO Está a ser-me difícil suportar esta fase
da existência. A solidão é dura e a já provecta idade não augura grandes perspectivas. E,
ultimamente, as variadas críticas de que tenho sido alvo não favoreceram a
situação. Gostei muito de viver
mas também já dei bastante há vida. É assim chegado o momento de dizer adeus
a um mundo que me está a ser ingrato e penoso de suportar. Adeus. Rezem por mim. Não era invulgar o restante cenário: no lado
direito da secretária, um copo de cabedal com canetas e esferográficas, na
sala uma mesa com fotos, dois sofás, ao lado uma pequena mesa com um
candeeiro e dois livros e as paredes revestidas de quadros. Aquela sala era, certamente,
o seu “santuário”… Dada a existência de um óbito nestas circunstâncias,
o caso foi entregue ao Inspector Gonçalves e sua
equipa – o sargento Romão e o jovem Adalberto. O caso parecia fácil – mais um suicídio.
Mas ao Inspector algo pareceu que não “jogava certo”… Pouco depois o sargento dirigiu-se-lhe:
“Chefe, parece que não haverá muito a investigar, não é verdade? O indivíduo
matou-se…” Meditativo, o Inspector
respondeu: “Olhe que talvez o caso não seja assim tão simples, Romão… Há aqui
coisas estranhas…” … e a sua intuição revelou-se correcta. Sem necessidade de uma investigação mais
profunda, chegou-se à conclusão de que… Pergunta-se: O que acha que tenha suscitado
as suspeitas do Inspector? |
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© DANIEL FALCÃO |
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