Autor

Donald Lam II

 

Data

21 de Junho de 1985

 

Secção

Badaladas da T.P.O. [15]

 

Competição

Torneio Sete de Espadas

Problema nº 8

 

Publicação

Badaladas

 

 

Solução de:

UM CRIME RARO

Donald Lam II

 

O assassino foi Carlos Alberto, o narrador do texto.

O cofre e as imediações foram cuidadosamente revistados. Teria que ser o próprio Caetano a levar para dentro do cofre a arma do crime, mas como não o fez de livre vontade, terá sido ludibriado pelo assassino.

«Amigo» de longa data fácil seria conhecer-lhe os hábitos pessoais. O facto da hora do crime, confirmada pelo médico, coincidir com a hora antecipadamente marcada para a morte, e dado que a vítima se encontrava sozinha nesse momento, demonstra que Caetano só poderia ter sido morto por um mecanismo de relógio.

Carlos Alberto espalha whisky no fato e mãos do milionário para o obrigar a lavá-las. Abeira-se dele (é o único a fazê-lo) com o pretexto de pedir desculpas, e aproveita-se da confusão para substituir o relógio de João por uma réplica. No relógio de ponteiros estava montado o sistema: uma pequena agulha, passando por um orifício, que seria pressionada quando os ponteiros se sobrepusessem (ao meio dia), injectaria o curare no sangue.

Após o crime, e tomando o pretexto de ir medir o pulso ao morto, Carlos é, mais uma vez, o primeiro a aproximar-se, dispondo do tempo de estupefacção dos restantes, para proceder de novo à reposição do relógio original no braço da vítima. Só no relatório da autópsia foi possível descobrir o sítio exacto da picada – o pulso esquerdo. Só Carlos Alberto dispôs dos meios para cometer o crime.

© DANIEL FALCÃO