Autor

Emil

 

Data

25 de Novembro de 2018

 

Secção

Policiário [1425]

 

Competição

Campeonato Nacional e Taça de Portugal – 2018

Prova nº 9 – Parte I

 

Publicação

Público

 

 

Solução de:

UMA NOITE DE NATAL EM SOLAR MINHOTO

Emil

 

A véspera de Natal, designada Consoada, tem tradições muito antigas no nosso país e principalmente no norte e centro, onde as tradições continuam, apesar de tudo, a subsistir.

No caso do Minho, mas não só, também em todas as zonas do país, a Consoada era marcada pelo polvo, que era rei e senhor.

A maioria do polvo vinha da Galiza, cuja costa recortada e rochosa tinha as aptidões completas para o seu desenvolvimento, o que originava capturas de grande dimensão. Nesta altura do ano, havia grandes deslocações de pessoas do Minho e Trás-os-Montes para aquisição do molusco.

No tempo do salazarismo, a entrega das pescas a entidades que as controlavam em regime monopolista, fez com que as apostas se dirigissem para os bancos de pesca da Gronelândia, onde reinava o bacalhau, que era um peixe pouco procurado devido às imensas dificuldades na sua captura, em missões de vários meses.

Daí que o governo de então resolvesse criar uma autêntica caça aos comercializadores de polvo, no sentido de impedir a sua chegada ao prato dos portugueses e a sua substituição pelo bacalhau. Nesse sentido, houve reforço de fiscalização das fronteiras, a cargo da guarda-fiscal, com ordens explícitas de queimar e destruir completamente todo o polvo detectado.

Com o tempo e a crescente dificuldade em aceder ao molusco marinho e a facilidade de aquisição do bacalhau salgado, na época considerado prato dos pobres, a tradição foi sendo subvertida e hoje é comumente aceite que o bacalhau devidamente cozido depois de demolhado, não pode faltar à mesa da Consoada.

As refeições estão correctas. O jantar era pela hora a que agora se considera o almoço e havia a merenda a meio da tarde e finalmente a ceia, que anunciava a hora de deitar e dormir.

O historiador desta nossa cena, teria de apontar o “fiel amigo” como o intruso deste enredo.

© DANIEL FALCÃO