Autor

Faria

 

Data

8 de Fevereiro de 1985

 

Secção

Badaladas da T.P.O. [6]

 

Competição

Torneio Sete de Espadas

Problema nº 5

 

Publicação

Badaladas

 

 

ONDE A REALIDADE ACABA E A FICÇÃO COMEÇA

Faria

 

Era meia noite. Armanda saboreava, à luz do luar, o ar fresco e puro que se fazia sentir naquela magnífica noite de Lua Cheia, enquanto, extasiada, contemplava a natureza à sua volta.

Chegara há uma semana atrás àquela quinta, propriedade do seu noivo, Orlando e, desde então, não deixara de dar o seu passeiozinho nocturno dentro da mesma. Habitualmente era acompanhada pelo noivo, mas como este no dia anterior fracturara uma perna, nessa noite safra sózinha, sem ele saber.

Caminhava agora na direção do rio que atravessava a propriedade para assim admirar a magnitude do mesmo, onde se divisava uma catarata de beleza incomparável.

Súbitamente tem o pressentimento de que observam e ouve algo a resmalhar atrás de si, no arvoredo… algo que avança na sua direcção interpondo-se entre ela e casa.

Assustada, corre o mais depressa que pode. Olha para trás e vê que algo corre atrás de si… não consegue diferenciar o que é, e compreende finalmente a razão pela qual as pessoas se trancam em casa mal a noite cai.

À sua frente aparece-lhe o rio, ouve o barulho da catarata e lembra-se de que a mesma, como que uma cortina de água, oculta a entrada de uma pequena gruta, onde já havia ido com o noivo. Toma o estreito carreiro que vai dar à mesma, julgando estar aí a sua salvação, e atravessa a cortina de água, única entrada para a gruta. Uma vez aí sente-se a salvo e respira aliviada. Ainda não estava refeita do cansaço e do susto quando, de repente, algo irrompe na gruta, atirando-se a ela. Apanhada de surpresa não tem tempo para nada, e as suas mãos apenas conseguem escorregar pelo rosto macio do atacante.

 

O corpo pálido e todo golpeado de Armanda, sobre o qual se podia ver uma pequena cruz que lhe prendia do pescoço, jazia agora sobre o mármore frio da Morgue.

Junto do mesmo Orlando não conseguia esconder a sua emoção e as lágrimas, teimosamente, escorriam-lhe pela longa e hirsuta barba. Acompanhava-o Joana, sua prima, e antiga noiva, que vivia igualmente na quinta. Fora ela quem dera o alarme, que permitira a descoberta da vítima, pois estando ainda acordada, ouvira gritos para os lados da catarata.

O caso era agora o motivo principal de conversa dos populares da região. Uns diziam que os golpes só podiam ter sido originados por uma faca bem afiada; outros diziam que aquilo tinha sido obra das garras de um bicho; os mais antigos, sempre pessimistas, chegavam ao ponto de dizer que só podia ser obra de algum lobisomem, ou mesmo do Conde Drácula, o Vampiro…

 

Consideremos quatro suspeitos: – Orlando, Joana, Lobisomem e Drácula.

Posto isto responda:

1º) Quem matou? Justifique.

2º) O que o levou a ilibar os restantes suspeitos?

 

SOLUÇÃO

© DANIEL FALCÃO