Autor Data 9 de Novembro de 2003 Secção Policiário [643] Competição Campeonato Nacional e Taça de
Portugal – 2003/2004 Prova nº 2 Publicação Público |
A MENSAGEM Figaleira Antes do mais, em jeito de
introdução, sejam-me permitidas duas anotações: 1 – Solicitar (e
antecipadamente agradecer) que o problema fique considerado como procedente
de Alvares, povoação de que sou oriundo e pela qual nutro imensa afeição.
Aproveito para adicionar que Alvares é palavra paroxítona, que não tem acento
gráfico, pronunciando-se os dois a de forma aberta, como sucede com Almada; 2 – De
quando em vez, há confrade que manifestam a sua estranheza pelo facto
de, após cerca de cinco décadas – isto é, desde que comecei nestas andanças –
a utilizar o pseudónimo “Big Ben”, de repente o
substituir por “Figaleira”. A justificação é tão-só
esta: o primeiro já estava a ficar “gasto”; depois, porque pretendia
homenagear os netos – que são todo o meu enlevo, proporcionando-me mais
“calor” que o próprio sol –, pelo que adoptei o
sistema acróstico, de que resultou o segundo: FI (de Filipe); GA (de
Gabriel); LE (de Leonor); I (de Inês) e RA (de Rafael), pela ordem crescente
de idades. Posto isto, vamos ao
problema: O “Veterano Confrade”
andava taciturno. Queria conceber um enigma para enviar ao Policiário, mas
não lhe ocorria qualquer ideia. Por vezes, quedava-se a
rever o trajecto percorrido desde que se iniciara
na resposta a secções policiais, de que jamais abdicara, dada a convicção de
que tal como o corpo precisa de exercício para não atrofiar, sendo até
benéfico praticar actividades físicas, tendo como objectivo angariar maior capacidade, também a mente, mais
concretamente os chamados neurónios, necessitam de adequada laboração no
sentido de a treinar, se possível, desenvolver. Nesta conformidade, de tal
forma o “Veterano Confrade” se deixou enredar na teia que numa fase em que as
secções do género entraram em interregno, alinhou nas palavras cruzadas e,
agora, de igual modo, é assíduo participante em certames da especialidade –
agradado com esse tipo de passatempo, fundamentalmente por as chaves serem
concretas, ou seja, estão nas respectivas obras de
consulta, a tarefa será encontrá-las, enquanto nos problemas policiais, com
frequência, impera o subjectivo. Mais tarde, quando
da aposentação, ainda tentou as charadas; porém, nessa vertente dos
denominados entretenimentos lúdico-culturais, depressa concluiu tornar-se
imprescindível, para além da consentânea “artilharia” – leia-se dicionários, calapinos e quejandos –, difusa paciência de chinês para
as longas buscas, de onde limitar-se apenas às de fácil decifração. Pois, como estava dizendo,
o “Veterano Confrade” andava taciturno. Era seu intuito elaborar um repto
para colocar aos confrades do Policiário, se possível enviando-lhes uma
mensagem alusiva à rubrica – mais ainda laureando a vetusta durabilidade,
mais de onze anos de publicação e seiscentas e tal páginas!,
facto invulgar em similares – e não atinava com a maneira de conseguir o
pretendido objectivo. Eis que de súbito a ideia
brotou: fazê-lo através do cruzadismo. E de imediato deitou mãos à obra,
engendrando o seguinte: Horizontais: 1 – Ode. Prancha. 2 – Ódio. 3 – Leva à
sirga. Inconveniente. 4 – Cortai. Inclinas. 5 – Apontada. Rendeiro. 6 –
Indaga. 7 – Ocasião. Jactâncias. 8 – Abrira. “Vento”. 9 – Aureola. Ilustrar.
10 – Nascentes. 11 – Abalo. Silho. Verticais: 1 – Sovam. Esfria. 2 – Irritação.
Satélite. 3 – Claudicar. Energia. 4 – Nigromante. Terraço. 5 – Alna.
Sumptuosidade. 6 – Elogia. 7 – Toldara. Aclama. 8 – Lais. Patetas. 9 –
Abundante. Grossa. 10 – Inúmeros. Número. 11 – Antigo. Seda. Evidentemente, o “Veterano
Confrade” sabia de antemão que alguns “companheiros de peleja” discordam deste
género de enigmas, por considerarem essencial que os problemas ditos
policiais – ou policiários, como perfilhou Fernando Pessoa – sejam
alicerçados em questões de índole criminal. No entanto, estava convicto de
que os mesmos facultam a inclusão de multifacetados desafios, desde que a sua
resolução dependa do poder de observação e capacidade de raciocínio. Asserção justificada pela
diversidade de situações que servem de tema a contos e novelas apresentados
em publicações da espécie, onde nem sempre a faceta delituosa é basilar. E, a
propósito, recordava que, no decorrer de quase meio século de leituras de
trabalhos desta natureza, tivera ensejo de apreciar entrechos magníficos,
autênticas obras-primas – estando na primeira fila o conto baseado na conhecida
história da “Branca de Neve”, em que esta não desperta do feitiço quando
beijada pelo príncipe, gerando, portanto, a sequente ilação de aquele não ser
o genuíno, uma produção lusíada galardoada pelo norte-americano “Ellery Queen´s Mystery Magazine”. Contudo, o
“Veterano Confrade” receava que os menos familiarizados com as palavras
cruzadas se sentissem desmotivados e propensos à renúncia – motivo porque
alterou a concepção inicial de não patentear
diagrama, apenas o enunciado, assente nos dicionários de Sinónimos e da
Língua Portuguesa, ambos da Porto Editora, ficando a elaboração daquele à
conta dos respondentes. Para além disso, entendeu oportuno recomendar que nem
sempre as coisas são como parecem – por vezes, as dificuldades são mais
aparentes que reais – e incentivá-los a “ir à luta”, decifrando qual o teor
da mensagem que cogitou promulgar. Decerto vão ficar deslumbrados com a
facilidade. |
|
© DANIEL FALCÃO |
||
|
|