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Autor Data 8 de Abril de 2018 Secção Policiário [1392] Competição Campeonato Nacional e Taça de
Portugal – 2018 Prova nº 3 – Parte II Publicação Público |
A SAGA DAS GIRAFAS INCÓMODAS FIPQ Há vários anos que morava
naquele primeiro andar, um primeiro andar como outro qualquer, mas que tinha
uma particularidade, tinha como vizinhos um parque temático, gerido por uma
associação que cuidava e criava girafas. Eram girafas verdadeiras,
de carne e osso, que toda a vizinhança encarava com naturalidade. Mas ele
tinha uma vantagem, como morava no primeiro andar, as janelas ficavam à mesma
altura das girafas maiores e por isso era frequente abrir uma janela e ter de
cumprimentar um dos animais mais afoitos. Mesmo os seus filhos já se
habituaram a ter um saco com feno ao lado da janela e todas as manhãs, ao
acordarem, abrem a janela e dão-lhes alguns pedaços, que elas agradecem. Uma
delas chegou a dar pequenas marradas no vidro quando se atrasaram na
refeição! Durante anos nunca houve
problemas, mas chegou um dia em que se mudou para um dos apartamentos um
indivíduo que começou a complicar as relações com os animais, com queixas
frequentes sobre muitos dos comportamentos das girafas, a começar com o mau
cheiro, depois com as moscas e mosquitos, mais tarde com o barulho que faziam
ao baterem com as patas no chão ou com as lutas de pescoços e a culminar na
denúncia dos gritos fortes que os animais libertavam de noite, certamente nas
suas actividades de acasalamento. A situação começou a ficar
complicada, com o dito indivíduo a marcar reuniões de condomínio na tentativa
de conseguir uma posição conjunta contra a presença dos animais, para que
fosse possível corre-los dali. Logo começaram as denúncias
formais, com todas as alegações e acrescentando questões de saúde pública que
acabaram por levar ao local as autoridades sanitárias. Era evidente que onde há
animais há um pouco mais de cheiro, de moscas ou mosquitos, até de barulho,
mas isso acontece com quaisquer animais, não seria por serem girafas. Os
moradores uniram-se, mas as autoridades sanitárias referiram que havendo uma
queixa, certamente haveria consequências, porque o queixoso alegava que não
conseguia repousar em condições com os gritos dos animais e assim sendo,
tornava-se impossível respeitar o silêncio e sossego das noites e assim sendo
tinham de fazer o relatório obrigando à deslocação dos animais para outros
locais. O condomínio e toda a
vizinhança pronunciaram-se contra a saída dos animais e chamaram a atenção
para uma mentira que o novo vizinho estava a denunciar e que demostrava em
absoluto a sua má vontade: A – As girafas não emitem
qualquer som vocal. B – As girafas não batem
com os pescoços umas nas outras. C – As girafas não
conseguem emitir gritos fortes. D – As girafas não libertam
cheiros nem atraem moscas ou mosquitos. |
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© DANIEL FALCÃO |
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