Autor

Gustavo José Rodrigues

 

Data

6 de Junho de 1957

 

Secção

Quem Foi? [120]

 

Competição

Torneio "Detective Sem Nome"

 

Publicação

Mundo de Aventuras [408]

 

 

UMA BRINCADEIRA INOFENSIVA

Gustavo José Rodrigues

 

No meio de pequena clareira, cercada por altas e frondosas árvores, ergue-se a elegante e luxuosa «Vila Adriano», propriedade de Luciano Marques, abastado lavrador daquela região.

Com ele vivem seu irmão João Augusto, os primos António Teixeira e sua esposa Mariana, Manuel Tomé e um tio de nome Adérito Ramos – o único dos habitantes com mais de cinquenta anos.

Os Marques são dados a mil e uma excentricidades. Têm muito dinheiro e sabem aproveitar-se bem desse privilégio. Uma das muitas manias da família consiste no facto de cada um deles ter uma dependência na casa onde só eles mandam. Assim, João Augusto é o senhor absoluto da saia de fumo; Luciano Marques, da sala de jantar; A. Teixeira, da biblioteca; Mariana, da sala de costura; Adérito, da garrafeira; e Tomé, da garagem.

Naquela noite, o jantar de anos decorria animadíssimo. Festejava-se ruidosamente o 51º aniversário de Adérito, que, por isso, se mostrava radiante. Adérito, excelente criatura, era o único dos seis que discordava das muitas extravagâncias a que eles se entregavam amiúde. Mas nada podia fazer para o evitar…

Quando o jantar terminou, por entre vivas e brindes, a voz já pouco segura de Mariana elevou-se no espaço.

– Meus senhores! Tenho uma valiosíssima prenda para o «nosso bebé», mas não lha dou pessoalmente. Ele irá procurá-la nesta casa. É chegado o momento de ele nos provar os seus dotes de «detective», tanta vez apregoados. Porém, facilitarei a sua tarefa. Vou fornecer-lhe alguns elementos.

A jovem esposa de António Teixeira virou-se, então, para Adérito e escreveu algo num minúsculo rectângulo de papel, que entregou àquele.

Adérito, já habituado a estas brincadeiras, limitou-se a sorrir e leu em voz alta: «Adriano – (Avôzinho) – três – cinco – direita».

Por mais tentativas que fizesse para solucionar o enigma ante as gargalhadas dos presentes, o bom homem não atinava com a chave do problema. Em face disso, Mariana convidou os outros a procurarem o objecto. Todos se calaram, à excepção de João Augusto, que ràpidamente deixou a sala, dizendo: «Eureka! Achei!».

Com efeito, pouco depois João Augusto regressava à sala, exibindo numa das mãos um valiosíssimo corta-papéis com o cabo todo de oiro.

– Ei-lo! – disse radiante e ante o pasmo dos presentes:

Por unanimidade João Augusto foi eleito o melhor «detective» da família.

E o jantar recomeçou…

© DANIEL FALCÃO