Autor

H. Esteves

 

Data

22 de Abril de 1976

 

Secção

Mistério... Policiário [58]

 

Competição

Interregno...

Prova nº 10

 

Publicação

Mundo de Aventuras [134]

 

 

UM CASO DE CHUVA

H. Esteves

 

Eram 19 horas. Escurecera já e a chuva caía abundantemente. Aborrecido sem saber que fazer o inspector Ferreira acendeu o cachimbo.

Decidiu ler um pouco. Pegou num livro e nesse instante o telefone tocou. Do outro lado do fio uma voz suplicou: «Venha depressa. Mataram o meu avô». Tomou nota do endereço e passados uns momentos parava o carro à porta de Edgar Reboredo. O jardim que circundava as duas vivendas, onde residia a família Reboredo quase se assemelhava a um lago. Teve de deixar o carro atrás de outro que já se encontrava aí estacionado e quando chegou à porta encontrava-se um pouco molhado. O criado que lhe abriu a porta e o conduziu à biblioteca informou-o que se encontravam aí alguns membros da família. O criado segurou o casaco do inspector pegando-lhe com cuidado para que a chuva não lhe molhasse a farda que ele envergava, limpa e sem uma mancha. Na biblioteca além da vítima que jazia no chão com um golpe na cabeça, onde fora agredido com um objecto contundente, encontrou o inspector, Joana Reboredo, seu pai Carlos Reboredo e sua mãe Alda Reboredo.

Nesse momento entrou Alberto Reboredo, sobrinho da vítima. Mostrou-se surpreendido com o que acontecera. Disse ter visto dois carros à entrada, o de Carlos Reboredo e um que lhe era desconhecido. Entrara para ver o que se passava. Disse ter ido ao cinema. Como o tempo estava assim, foi ver uma comédia italiana para se distrair. Não fixou o nome do filme. Entrou no primeiro cinema que viu e resolveu passar aí um bocado. Pediu para se retirar para mudar de fato. Molhara-se ao entrar. Joana disse ter descoberto o avô caído com aquele golpe na cabeça.

A primeira coisa que lhe ocorrera foi telefonar ao inspector. Viera ter ali para conversar um pouco com o avô. Afirmou que vinha regularmente todos os dias conversar com o avô.

Carlos Reboredo ao ser interrogado pelo inspector disse ter ido às compras com a esposa, o que esta confirmou. Quando a loja fechou às 19 horas, regressaram a casa. Chegaram momentos antes do inspector. Como a filha afirmou ter telefonado para o inspector resolveram aguardar a chegada dele antes de mexerem em coisa alguma.

O criado ao ser interrogado disse ter estado na outra casa.

Como viu chegar Carlos Reboredo, ao olhar pela janela, e o visse entrar na casa onde residia o senhor Edgar, veio ter com eles.

Seguidamente, depois de ter telefonado para a Judiciária, o inspector Ferreira pediu o casaco para tirar tabaco para o cachimbo.

De repente, teve uma ideia…

 

1 – Quem foi o criminoso?

2 – Diga o porquê da sua afirmação.

© DANIEL FALCÃO