Autores

H. Sapiens

 

Data

29 de Dezembro de 1995

 

Secção

O Detective - Zona A-Team [255]

 

Competição

Torneio dos Convívios

Problema nº 8 | Convívio do Minho

 

Publicação

Jornal de Almada

 

 

Solução de:

DOIS COPOS DE BRANDY

H. Sapiens

 

O chefe André depressa percebeu que a “chave” daquele problema estava nas pedrinhas de gelo que enfeitavam os dois copos de brandy.

Mas encaradas sob um aspecto que nada tinha a ver com o tamanho das ditas, o seu formato ou grau de fusão em que se encontravam e muIto menos com o espaço do tempo que costuma decorrer até ao seu desaparecimento.

Não. A pergunta era mais simples: por que razão estavam ali estavam ali aquelas pedras de golo? Vendo bem, não deveriam estar.

Recordemos certas informações do texto:

a) – O Mestre Barros tinha um rádio a pilhas.

b) – Fazia as suas refeições num velho fogão a lenha.

c) – Comprava semanalmente petróleo para iluminação.

Bastariam estas confidências para se perceber que no casarão não devia haver energia eléctrica (logo, não haveria frigorífico, logo, não haveria gelo).

Mas tinhamos mais:

d) – Não havia qualquer fiada de postes da estrada para a sua casa isolada (agora podemos dizer, com certeza, que não havia energia eléctrica).

e) – O recheio da casa, exceptuando o rádio, poderia datar do século XIX (e aqui fica excluída qualquer possibilidade fantasista de frigorífico a gás ou a energia solar…)

Mas como, então, aparece ali aquele gelo tão recente?

É porque veio de outro lugar.

E, naqueles dias escaldantes, quem consegue transportar gelo de um sítio para outro? Ora… Uma carrinha equipada para o transporte de peixe fresco. A do David Peixeiro, claro.

Imaginemos… A paragem habitual para beber um copo, gelo que se vai buscar à caixa térmica da carrinha, uma imprudente exibição das notas por parte do Mestre. A machada ali à mão. Tentações, desgraças. É quase certo que num dos copos vão aparecer as impressões digitais do David Peixeiro.

© DANIEL FALCÃO