Autor

Inspector Lima

 

Data

1 de Dezembro de 1962

 

Secção

Página Policial [3]

 

Publicação

Correio do Ribatejo

 

 

Solução de:

FÉRIAS ESTRAGADAS

Inspector Lima

 

Durante o trajecto para o local do crime, o Inspector Lima não cessara de pôr o cérebro em funcionamento, tentando imaginar o que iria encontrar, e a forma estranha como o aviso, ou o telegrama, lhe fora chegar às mãos.

Não era a primeira nem a centéssima vez que contactava com casos de morte. Pelo contrário, a sua fama residia precisamente nas qualidades natas que possuia para a total surpressão do crime, sendo bastante temido pelos infractores da Lei, sobretudo aqueles que já haviam estado presos por sua causa. Isto, como se pode deduzir do texto do problema.

Todavia, para o Inspector aquele caso surgia-lhe demasiado complexo, mesmo sem nexo. Havia algo que não soubera determinar ainda concretamente… embora fosse a caminho, ainda, da explicação do delito. Uma coisa era certa, quando lá chegou: não estava muito desejoso de se introduzir imediatamente no mistério!

Ele não encontrara ninguém, a não ser um guarda, mas dois quarteirões atrás. Ora isso ERA IMPOSSIVEL. Tinha forçosamente de haver alguém, alguns agentes, no local da ocorrência. Se não estavam, era porque ali não houvera crime algum. E sendo assim… O TELEGRAMA QUE RECEBERA NÃO ERA DO CHEFE!

Continuava a dar voltas a todos os pormenores anteriormente decorridos. Chegara, vira o amigo, dirigira-se com ele para o hotel! Hotel? Sim… era ISSO!

Como sabia o chefe que ele se encontrava no RITZ, quando o cesto é que deixara a morado do LIS?!

Era indubitável. Alguém pretendera – talvez um dos muitos «admiradores» entre os bandidos – «entregar-lhe» um passaporte para a morte. E esse alguém devia ter a «rede» bem montada para o ter podido localizar tão depressa em Lisboa.

Bem, mas isso já não interessava. Agora, que a espingarda fora desmontada, o perigo desaparecera. Mas… até quando?!

© DANIEL FALCÃO