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Autor Data 10 de Agosto de 1963 Secção Página
Policial [20] Publicação Correio do Ribatejo |
O TELEFONEMA REVELADOR Inspector Varatojo Adaptação de um problema policial do Inspector Varatojo Quando Richard Evil
chegou ao local do crime, encontrou lá um agente. Após a troca de cumprimentos, Tom Harry, o
agente, informou o Comissário daquilo que sabia: – Fui encarregado pelo Departamento de seguir e
proteger a vítima, Peter Fowler, secretário do
Ministro. Aluguei um apartamento no prédio fronteiro, donde, com o auxílio
dum binóculo, vigiava a janela de Fowler. Ainda não
havia decorrido meia hora que o deixara, quando o vi da minha janela
dirigir-se para o telefone e discar um número. O meu telefone tocou e ouvi a
voz dele dizer: «Já sei quem…» Como não deixara de fitar a janela através dos
prismáticos, vi-o cair inanimado nesse instante. Corri imediatamente para
aqui e como não encontrasse o contínuo no corredor, entrei vindo encontrar
tudo como está. Richard Evil lembrou: – Não será melhor ouvirmos o contínuo? Chamado à presença dos dois homens, este
declarou: – Pouco tempo depois do senhor Harry haver saído,
Sua Excelência o senhor secretário do Ministro, recebeu nos seus aposentos
uma senhora que se demorou talvez uns vinte minutos. Vi-a sair e foi então
que me vieram chamar para ir ao rés-do-chão à cabina telefónica. Confesso que
apesar disso não me ser permitido, abandonei o lugar e desci. Como ninguém me
respondeu do outro lado do fio, julguei que já haviam desligado e quando
voltei para cima vim encontrar o senhor Harry que me chamava. Como Richard constatou, após rigorosa observação,
não havia impressões digitais de espécie alguma, nem no cabo da faca que Fowler tinha enterrada nas costas, nem no telefone que
estava solto do descanso e suspenso do fio. Admitia-se a não existência de sinais
dactiloscópicos no telefone em virtude de Peter Fowler
ter ambas as mãos envoltas em ligaduras, que tinham o aspecto
de grossas luvas de box, brancas. Isso era uma consequência de profundas
queimaduras que recebera nas mãos quando a sua casa fora criminosamente
incendiada duas semanas atrás. Não havia o mínimo objecto
nos bolsos da vítima nem caído perto da secretária, estando as gavetas
fechadas à chave. Com os elementos que o leitor tem e com um pouco
de sagacidade, certamente chegará às mesmas conclusões tiradas pelo
Comissário Richard Evil. |
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© DANIEL FALCÃO |
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