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Autor Data 9 de Maio de 1957 Secção Quem
Foi? [116] Competição Publicação Mundo de Aventuras [404] |
O ESTRANHO CASO ORSINI Juve O inspector
Juve conduzia o carro a boa velocidade. A seu lado seguia o jornalista
Fandor, seu inseparável discípulo e amigo. Este, depois de percorridos alguns
quilómetros, indagou: – Mas,
caro mestre, o que aconteceu, afinal? – O
conde Orsini foi encontrado morto nos seus aposentos – elucidou Juve, sem
desviar o olhar da estrada. – Vamos investigar o mistério que rodeia a sua
morte. E
nada mais disseram, mergulhados nas suas reflexões, até chegarem ao sumptuoso
palácio daquele que, em vida, fora o conde Orsini. Depois de transporem o
portão que um criado de libré se apressara a abrir, enfiaram por uma estreita
álea marginada de flores e que dava para a entrada principal do solar. Subidos
os degraus que os separavam da porta, um lacaio conduziu-os através de
extensos corredores atapetados, até chegarem a uma sala ricamente mobilada
onde se encontravam os familiares do falecido. Ken Smith, homem dos seus
trinta anos, ar saudável e alegre, adiantou-se aos seus dois companheiros e
exclamou: –
Inspector, queira acompanhar-nos. Andaram
uns passos, viraram à esquerda e entraram no escritório do conde. Este
encontrava-se sentado no seu vasto cadeirão, o corpo tombado para a frente e
a cabeça assente no tampo da secretária. Da têmpora esquerda saía um fio de sangue,
já coagulado, que se estendia pela mesa. O aposento apresentava-se em ordem.
No cinzeiro havia quatro fósforos queimados e resíduos de cinza. Um fósforo
por queimar encontrava-se no chão. Juve
voltou-se para os presentes e inquiriu: – Qual
dos senhores descobriu o corpo? Ray
Sims, sobrinho do falecido, destacou-se do pequeno grupo e, com voz insegura,
disse: – Fui
eu, inspector. E
acendeu outro cigarro no que acabara de fumar, esmagando a ponta com mão
trémula. O
nervosismo do jovem era evidente. Juve recomendou-lhe calma e ficou
aguardando que ele contasse o que sabia. – Eu
ia entregar a meu tio um relatório sobre um importante trabalho – disse Ray,
esforçando-se por apresentar calma. – Bati à porta, e como não obtive
resposta, empurrei-a e entrei. Dei dois passos e descortinei o sangue que lhe
brotara do ferimento. Desorientado, fugi e fui avisar Ken. É tudo o que sei,
inspector. Ken,
instado por Juve para que dissesse algo que viesse aclarar o mistério que
rodeava a morte do conde, afirmou: – Eu
andava de relações um pouco tensas com o padrinho, mas esta tarde estive com
ele aqui e fizemos as pazes. Harmonizámos as coisas da melhor maneira, e
deixei-o aguardando a chegada de Ray. Encontrava-me na biblioteca quando ouvi
o alarido provocado por este. Depois, telefonei aos senhores. E é tudo,
inspector… Por
último, Juve ouviu o primo de Orsini, homem já de idade e com a
particularidade de suar ininterruptamente das mãos. Trazia sempre consigo um
lenço para as conservar secas. Juve ofereceu-lhe um cigarro, que ele recusou,
dizendo: – Obrigado,
mas não fumo, tal como o meu primo. Nunca nos habituámos a isso, felizmente. – Bem
– disse Juve, repondo o cigarro na cigarreira. – Vejamos o que nos tem a
declarar. – Pouco
ou nada, inspector. Eu andava no jardim quando me surpreenderam os gritos de
Ray. Tão depressa quanto mo permitiram as pernas, subi e soube da morte de
Orsini. E é tudo o que sei… Juve
deu dois passos no aposento e deteve-se para dizer: – Meus
senhores, não tenho a menor dúvida de que se trata de um delito. A atestar o
que digo está o facto de não termos encontrado a arma que vitimou o conde.
Não é, pois, possível que ele tenha acabado com a vida. Juve
calou-se por momentos como que a ajuizar do efeito das suas palavras. Depois
dirigiu-se a um dos presentes e deu-lhe voz de prisão, acusando-o de ter
morto o conde de Orsini. PERGUNTA-SE:
1) Quem
recebeu voz de prisão? 2)
Porque pensa assim? |
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© DANIEL FALCÃO |
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