Autor

Juve

 

Data

16 de Maio de 1957

 

Secção

Quem Foi? [117]

 

Competição

Torneio "Detective Sem Nome"

 

Publicação

Mundo de Aventuras [405]

 

 

TRÊS DEPOIMENTOS SUSPEITOS

Juve

 

Numa paragem brusca mas perfeita, o carro estacou junto do prédio nº 18 da rua Giradon.

Juve apeou-se do veículo e entrou no edifício. Deu um pequeno toque no chapéu e assobiou baixinho.

As escadas que conduziam aos andares superiores continham considerável camada de pó, onde se viam impressas regularmente, várias pégadas de pés diminutos. Em sentido oposto, havia pégadas semelhantes, de três cm três lances.

À sua esquerda, o inspector divisou o elevador, para o qual se dirigiu.

Ao chegar ao quarto andar procurou alguém que o atendesse. Uma mulherzinha de aspecto duvidoso e voz lamurienta aproximou-se, exclamando:

– Que desgraça, senhor! Mataram-na! É ali! – e apontava a Juve a porta em frente.

O inspector entrou no apartamento. Um rápido olhar lhe bastou para ver o corpo de uma jovem caído por terra e com profundo ferimento no peito.

– Quem é a rapariga? – inquiriu Juve, voltando para junto da mulher.

– É Rosalina, artista do Circo Estrela.

Agradecendo a informação, Juve dirigiu-se ao Circo Estrela. Ali, a azáfama era grande. O inspector procurou o gerente, a quem deu conta das suas diligências. Logo obteve permissão para investigar e proceder aos interrogatórios que entendesse necessários. A primeira pessoa que Juve ouviu foi a artista Fimaine, que declarou:

– Fui procurá-la, manhã cedo, e, confesso, a minha intenção não era das melhores. Rosalina era um entrave na minha carreira, e isso estava-me desagradando cada vez mais. Porém, cheguei já tarde. Outro qualquer teve a mesma ideia que eu… Rosalina estava morta, quando entrei no seu apartamento. Como consegui introduzir-me? Bem, a porta estava apenas encostada… E é tudo, inspector!

Em seguida, Juve ouviu o anão Groc, que explicou:

– Inspector, eu odiava-a bastante, o suficiente para a considerar indesejável. Pensei desfazer-me dela, mas não o fiz, por a coragem me ter abandonado no momento preciso. Cheguei ali cedo. Não vi ninguém quando entrei no prédio. Tudo corria à medida dos meus desejos. Entrei no elevador, subi ao quarto andar e notei que a porta do apartamento dela estava entreaberta. Aproximei-me, espreitei para o interior e o que vi deixou-me petrificado. Súbito, senti passos e alguém entrou no ascensor. Sem saber o que fazia entrei também, e só quando me achei na rua respirei, aliviado.

Por último, luve recolheu o depoimento do gigante Lion, contraste da pequenez de Groc. Por ironia, do destino, Lion era senhor de uns pés das mais reduzidas dimensões.

– Fui procurá-la com o intuito de a matar. Ela não merecia outra coisa. Só nos prejudicava. Subi no elevador e quando entrei no apartamento já ela deixara de viver. Fiquei fora de mim, e apenas me preocupei em fugir. Estava tão desorientado que desci as escadas a pé.

Na posse destes elementos, Juve virou-se para um dos depoentes e deu-lhe voz de prisão:

– Você matou Rosalina e, portanto, vai acompanhar-me!…

 

PERGUNTA-SE:

1) Qual foi o suspeito detido por Juve?

2) Porque pensa assim?

 

© DANIEL FALCÃO