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Autor Data 23 de Maio de 1957 Secção Quem
Foi? [118] Competição Publicação Mundo de Aventuras [406] |
O ERRO DO DELINQUENTE Juve Dedicado a Detective Sem Nome Confortàvelmente instalado no seu gabinete de
trabalho, tendo a seu lado o seu discípulo e grande amigo Jerónimo Fandor, o
inspector Juve sustentava com este uma pequena discussão. Ambos pretendiam
que o seu ponto de vista era o mais acertado. O inspector ia uma vez mais
expor as suas ideias, quando o telefone tocou, vindo pôr termo à questão. Juve estendeu o braço e atendeu: – Estou… – … – Sou, sim. – … – Rua Lacheuse, 65? Está bem. Juve desligou, e virando-se para Fandor, que já se
encontrava de pé, convidou: – Queres vir? Parece que aconteceu algo de
desagradável a um tal Roger Chasy… Fandor aquiesceu, e ambos se encaminharam para o
local designado. Pelo caminho, tentaram chegar a acordo sobre a discussão
cessada quando do telefonema, mas ainda desta vez não lograram conciliar os
seus pontos de vista. O local era bastante aprazível, sendo o edifício de
aparência agradável, conquanto vetusta. Compreendia dois andares revestidos
de grande trepadeira florida. O portão exterior estava aberto, convidando os dois
homens a entrar. Sem hesitar, Juve tocou a campainha e sentiu dentro
de instantes o ruído característico do «automático.». Empurrou a porta, e
precedido de Fandor achou-se num vasto «hall» de entrada. No primeiro andar, e ao cimo das escadas, encontrava-se
um homem que, mal os viu, exclamou: – Subam, senhores! Que grande desgraça! O homem declarou chamar-se Ferry Brook, e
apressou-se a conduzir os recém-chegados para o compartimento onde se
desenrolara a tragédia. O aposento estava ricamente mobilado. Espessas
passadeiras e pesados reposteiros indicavam que o proprietário da casa era
pessoa abastada e apreciadora do luxo. O asseio era irrepreensível, não se
notando a mais pequena falta de limpeza. O corpo do corrector Chasy jazia de costas. O sangue,
já coagulado, colara-se-lhe na camisa, saindo de três profundos golpes. Juve olhou Ferry Brook e perguntou-lhe: – Quando é que descobriu o corpo? Ferry acendeu calmamente um cigarro de boa marca, e
respondeu: – Eu vinha tratar de negócios com o meu bom amigo
Chasy. la a tocar a campainha quando notei que a porta estava entreaberta.
Dispus-me a entrar, mas mal tinha dado dois passos quando uma detonação se
fez ouvir. Precipitei-me escada acima, ao mesmo tempo que um vulto embuçado a
descia. Ao passar por mim empurrou-me violentamente, não dando tempo para me
esquivar. Surpreendido por ver que ele segurava numa das mãos um pequeno
estilete ensanguentado, tentei impedir que saísse a porta da rua, mas era já
tarde. Então, corri para aqui. E é tudo, inspector Juve… Juve dirigiu-se ao telefone instalado a um canto do
aposento, e marcou um número. – És tu, Sam? Sim, sou eu. Ouve, és capaz de ver se
um tal Ferry Brook tem cadastro? Esperarei. Tentativa de homicídio? E que
arma costuma utilizar? Faca? Okay! Juve desligou, e aproximando-se de Ferrv Brook
deu-lhe voz de prisão. Depois de muito instado, este acabou por confessar ter
morto Chasy. PERGUNTA-SE: – Porque desconfiou Juve de Ferry Brook? |
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© DANIEL FALCÃO |
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