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Autor Data 20 de Junho de 1957 Secção Quem
Foi? [122] Competição Publicação Mundo de Aventuras [410] |
UM ROUBO AUDACIOSO Juve O sol batia em cheio na fachada da vivenda de Juve
que, à janela, gozava as delícias daquela radiosa manhã de Maio.
Ao fundo do jardim, Juve divisou o seu inseparável
amigo Jerónimo Fandor que, ao ver o famoso polícia, lhe acenou entusiàsticamente
com as mãos, gesto que foi correspondido por Juve. Instantes depois, Fandor estava junto do polícia, e
os dois trocaram um estreito abraço. Preparavam-se para a habitual partida de xadrez, em
que ambos eram dignos adversários, quando o telefone retiniu, demovendo-os
desse propósito. Foi Fandor que atendeu. – Pronto! – … – Está, sim. Um momento… Fandor estendeu o aparelho a Juve que, durante cerca
de cinco minutos, escutou atentamente o que do outro lado do dia lhe diziam.
A face, impassível, nada deixava transparecer da conversação. Após um «entendido», Juve desligou e convidou Fandor
a segui-lo. Já no carro, enquanto conduzia, Juve disse ao amigo
que o telefonema fora de Fred Windsor, abastado lavrador, que lhe participara
o audacioso roubo de jóias de que tinha sido vítima. Como aquele o convidasse
a resolver o caso, anuirá. Em breve se encontravam na presença do aflito
lavrador, que não se cansava de bradar: «Roubaram-me! Roubaram-me as minhas
jóias!… Juve procurou acalmar o pobre homem, e pediu que os
conduzissem ao local do roubo. O homem, já um pouco mais calmo, introduziu os dois
amigos numa vasta sala, a um canto da qual se via um pequeno cofre aberto.
Apontando para ele, Fred Windsor explicou: – Foi dali que as tiraram! Eram nove horas da manhã
quando, necessitando de vir aqui buscar uns documentos (faço desta sala
escritório), deparei com o cofre tal como se apresenta. Dei logo pela falta
das jóias e apressei-me a telefonar-lhe, ciente de que o inspector fará com
que o culpado me restitua as jóias. Juve escutava-o em silêncio e, em dado momento,
indagou: – Já falou a alguém no roubo? – Não. Só eu sei! – respondeu o lavrador, prontamente.
– Alguém mais estava em casa quando descobriu o
roubo? – Sim. Minha filha Mary e John, meu sobrinho. Minha
esposa e os criados estão para uma feira, e só regressam esta tarde. Juve aquiesceu com um ligeiro aceno de cabeça, e
pediu a comparência de Mary e John para um pequeno interrogatório, mera
rotina. O lavrador saiu para satisfazer o pedido de Juve, e
este, ajoelhando-se, reparou que, desde a entrada até ao cofre, havia uma
série de pegadas impressas na cera. Resíduos bem visíveis de lama indicavam
que alguém ali estivera, e certamente vindo do exterior. June acabava o seu exame quando Fred Windsor
reentrou na sala, seguido de Mary e John. O polícia entrou directamente no assunto: – Algum de vós viu ou notou algo de anormal? Mary olhou bem de frente Juve, e explodiu: – Acaso suspeita de nós? Não, não vi nem notei nada
de estranho. Francamente… O jovem John, tomando a prima por um braço, que
virara as costas e ia a sair, disse: – Mary: infelizmente tenho que te dar uma triste
notícia. Hoje de manhã deu-me a impressão que alguém andava no escritório.
Desci, e quando entrei aqui verifiquei que o cofre estava aberto. Então, sem
saber o que fazia fui até lá fora fumar um cigarro. Qual não foi o meu
espanto ao reparar que no caminho que conduz à vivenda do teu noivo Adrian,
se encontravam pegadas. Segui-as, e olhando pela janela, vi-o mirando as jóias
roubadas e depois guardá-las na secretária. Foi ele o ladrão, minha boa
prima. Não tenhas dúvidas… Mary mais parecia uma fera enjaulada, tal era a sua
ira. Juve, com um sorriso irónico a bailar-lhe nos
lábios, decidiu intervir, pedindo a John que lhe ensinasse o caminho para a
vivenda de Adrian, e que tinha seguido quando da sua descoberta. Fandor, em
franca expectativa, seguia-os. O caminho era um autêntico lamaçal em virtude de no
dia anterior ter rebentado um cano condutor de água. Juve praguejava amiúde,
pois os sapatos atolavam-se, e eram objecto muito da sua estima. A vivenda de Adrian divisava-se ao fundo. De
aparência bastante agradável, situava-se no meio de autêntico jardim. Flores
e plantas rodeavam-na, num ambiente de sonho. À vista do espectáculo, na verdade surpreendente,
Juve esqueceu, por instantes, as seus sapatos, e não
pôde evitar que um ah! de admiração se lhe escapasse. Bateram. Adrian veio abrir e ficou espantado quando
Juve se identificou e lhe explicou o motivo da sua visita. O polícia pediu a
John que lhe indicasse o sítio onde vira Adrian guardar as jóias. Aberta a
secretária, lá estavam, com efeito, as valiosas jóias de Fred Windsor a
atestar a acusação de John. Adrian estava lívido. – Não, não fui eu! Alguém quer comprometer-me! Juro-lhe,
inspector, que não sei do que se trata. Entretanto, o lavrador e Mary tinham chegado. A
jovem desfez-se em desculpas, lamentando a maneira pouco cortês como tinha
tratado Juve. Virando-se para o noivo, apenas balbuciou: – Não fazia de ti um vil ladrão! Miserável! – Não, Mary, não fui eu! – gritou Adrian, tentando
segui-la. – Não me trates assim, e acredita-me, peço-te! Juve e Fandor trocaram um significativo olhar, e o
inspector exclamou: – Houve, com efeito, um culpado, e esse foi… PERGUNTA-SE: 1) Quem foi o ladrão? 2) Porque pensa assim? |
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© DANIEL FALCÃO |
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