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Autor Data 11 de Julho de 1957 Secção Quem
Foi? [125] Competição Publicação Mundo de Aventuras [413] |
DELITO OU OUTRA COISA? Juve Dedicado a Maria Josefa d’Almeida Tinha caído a noite. Numa sonolência de certo modo natural, encontrava-me
instalado num maple do meu aposento, gozando as delícias dum merecido
repouso, após um dia de extenuante trabalho. Um caso, algo difícil, obrigara-me a calcurriar uns bons quilómetros na peugada dum facínora,
ao qual consegui deitar a mão quando ele se aprestava para tomar um comboio.
Estava reflectindo sobre estes últimos
acontecimentos, ao mesmo tempo que me deliciava com o fumo de um saboroso
cigarro. Bateram à porta. Aquele bater nada me agoirou de
bom. De mau modo, confesso, mandei entrar, surgindo-me a minha governanta, a
quem pedi explicações do que ali a trazia. – «Senhor Juve, que desgraça! Raymond, o mordomo do
nosso vizinho Lester, acaba de telefonar dizendo
que encontrou o amo morto, pedindo-me para dizer ao senhor inspector que fosse lá.» Ia responder desabridamente por me virem privar de
merecido descanso, mas apenas pude desabafar um «Já lá vou!», lamentando, no
íntimo, a minha tão ingrata profissão. Encaminhei-me para casa do Sr. Lester,
sendo recebido por Raymond. Este levou-me aos aposentos do morto. Lester estava deitado no leito, nada aparentando que a
morte tivesse sido violenta. Na mesinha de cabeceira, um frasco contendo um
medicamento. Procurei não mexer em nada, e assegurei-me de que o
mordomo também o não fizera. Indaguei como descobrira o caso. Raymond,
calmamente, narrou que, embora o amo estivesse enfermo há já bastante tempo,
nada fizera supor um desenlace tão repentino. Dirigi-me ao telefone e liguei para a polícia.
Requisitei os homens necessários, tirei um cigarro e fiquei aguardando a sua
chegada. Os fotógrafos bateram as chapas respectivas,
revelando-se peritos nesse trabalho. O pessoal de análises em breve me
fornecia dados que me punham ante um problema: delito ou quê? O frasco de medicamento continha veneno, que
motivara a morte de Lestes. No frasco só estavam as impressões digitais da
vítima. Perguntei a Raymond donde costumavam vir os medicamentos para o
enfermo e quem as trazia, sendo informado de que quem os fornecia era a
farmácia Beny, e era Raymond que os obtinha.
Acrescentou ainda que, por sorte, a farmácia estava de serviço, o que servia
os meus propósitos. Para ali me dirigi imediatamente. Interroguei o
farmacêutico, expondo-lhe os motivos da minha visita. Disse-me que se
recordava perfeitamente do medicamento em questão, que Raymond fora ali
buscar, pois tinha sido ele que o embrulhara, e não era provável a hipótese
de ter veneno misturado. Fiquei um tanto ou quanto descoroçoado com o rumo
dos acontecimentos, mas não deixei transparecer tal estado de espírito. Sai.
Na rua, o fresco da noite reanimou-me um pouco e deu-me relativa
tranquilidade. Na minha mente foi-se esclarecendo o mistério que rodeava
aquela morte. Agora já sabia como o caso se passara. E, como tal, convido os
meus caros colegas de «Quem foi?» a responderem às seguintes perguntas: 1) Foi delito ou quê? 2) Porquê? 3) Na hipótese de delito, quem foi o culpado? |
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© DANIEL FALCÃO |
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