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Autor Data Dezembro de 1982 Secção Competição Problema nº 7 Publicação XYZ-Magazine [26] |
UM QUARTETO SUSPEITO Lemmy Caution Acabara a aula de criminologia. O chefe Marques, porém, resolveu fazer
uma última recomendação: – Não devem, portanto, iludir-se pelas aparências. E, sobretudo, procurem
ser o mais claro possível nos vossos relatórios. Há pormenores que convém
expor concisamente, de modo a evitar reparos e confusões. Lembro-me, a propósito,
dum caso ocorrido há dias com o sargento Maldonado. Se tivessem tempo, ainda
lhes lia o «dossier»… Olhou o relógio e prosseguiu: – Talvez ainda o consiga. Ora prestem muita
atenção – disse, enquanto se sentava. O caso foi noticiado para a Judiciária, mal despontara o dia. Com ele,
Maldonado teve a oportunidade de fazer a sua estreia como agente da primeira polícia
do País – esse sonho que acarinhava há tanto tempo. Francisco abriu-lhe a porta da vivenda e levou-o imediatamente ao quarto
do patrão. Este, o milionário Saúl Gonçalves, jazia no solo, assassinado. A
jarra estilhaçada, a seu lado, provava ter sido a arma utilizada pelo
criminoso. A vítima, todavia, nos últimos momentos de vida ainda conseguira
escrever no chão, com o próprio sangue que lhe brotara da enorme brecha da
cabeça, o nome do homicida: ALFREDO!!! Maldonado começou por ouvir as declarações dos quatro empregados da casa,
que eram os únicos suspeitos: o jardineiro, o mordomo, o motorista e o
secretário. O relatório que elaborou, foi, no
entanto, tão confuso que no final teve certa dificuldade em apurar qual dos
quatro era o Alfredo… Foi então que tomei conta da ocorrência e a breve
trecho tinha a solução completa do caso. Vejam se são capazes de o resolver
também: – Alfredo afirmou ter visto o motorista rondar o quarto da vítima na
noite anterior. Cruzaram-se no corredor, eram 21h31m (confirmado por este). – O motorista e o Manuel costumavam cavaquear um pouco com a vítima
depois do jantar, o que não sucedera na véspera por indisposição de Saúl, que
fora para o quarto (segundo declarações de ambos) eram 2h3Om. – Manuel afirmou ter entrado para o seu quarto às 21h32m e antes olhara
para o corredor, não tendo visto vivalma, mas pressentira que o mordomo se
fora deitar três minutos depois, reparando também que Francisco entrara para
o seu quarto às 21h45m. – O secretário, por seu turno, declarou detestar o Manuel e tivera uma
altercação com o assassino quando este fora na noite anterior à cozinha.
Lembrava-se até de ter olhado para o relógio. Eram 21h34m, tendo depois
ficado sozinho até às 21h36m, a fazer um refresco (estivera na cozinha três
minutos, precisamente). Não se lembrava a que horas adormecera. O único que
era das suas relações era o João que afirmou ter-se deitado às 21h37m. Notas várias: Todos os quartos eram no primeiro andar. A cozinha situava-se
no rés-do-chão. A morte ocorrera, segundo o médico legista, entre as 21 e as
22 horas. O chefe Marques olhou os candidatos: – Então? Agora que estão senhores do assunto,
respondam-me: 1º – Que profissão exercia Alfredo? Mordomo, jardineiro, motorista ou
secretário? 2º – Quais as profissões correspondentes aos outros suspeitos? 3º – A que horas e minutos se dera o crime?
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© DANIEL FALCÃO |
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