Autor

Lince

 

Data

29 de Março de 1985

 

Secção

Badaladas da T.P.O. [9]

 

Competição

Torneio Sete de Espadas

Problema nº 7

 

Publicação

Badaladas

 

 

O CASO DA CALCULADORA DESAPARECIDA

Lince

 

O ritual da manhã do Tio Miranda estava a chegar ao fim. Depois do duche obrigatório, arranja-se, tinha feito a ronda habitual pela velha vivenda da família, e acabava agora de tomar o pequeno almoço no quarto. Foi quando estalou o reboliço.

– Eu não fui.

– Eu também não.

– E eu não admito que digam que fui eu.

– Então quem foi?

– Só podiam ser vocês. E eu quero-a de volta.

Era grande a discussão que reinava no jardim entre os gémeos Jó, Tó e Ró, e o Tio Miranda acorreu até eles, antes que se registassem estragos.

– Então rapaziada? Tanto barulho por uma coisa tão pequena? Vamos lá a saber o que se passa.

Como resposta uma enorme barafunda com os três petizes a quererem explicar-se ao mesmo tempo.

– Calma lá, oh gentes; um de cada vez. Começa tu, Tó, que pareces o mais exaltado.

– Eu preciso da máquina de calcular, e eles não sabem onde ela pára. E amanhã tenho de levar os exercícios de matemática feitos. Se o não fizer, quem ouve o professor sou eu.

– Meu Deus; se no meu tempo isto era assim – comentou o velho. – E tu, Ró, o que dizes?

– Eu digo que não tenho a máquina.

– E tu, Jó?

– Eu não tenho nada a ver com o assunto. Tenho estado a tirar fotografias toda a manhã às velharias da cavalariça. Até usei aquele rolo de 400 Asa que o tio me deu. Cá por mim vão ficar boas, pois aquilo lá dentro é um pouco escuro, e fiz uns bons enquadramentos. Vou concorrer com elas ao concurso lá da escola e…

Foi interrompido pelo Tio Miranda, que o mandou parar aquela lenga lenga, interrupção que o Tó aproveitou para intervir:

– Não pode ser. Se só nós é que temos a chave da escrivaninha tem de ser um deles que tem a máquina, pois ainda ontem. antes de me deitar eu a pus no seu lugar, e agora fui lá buscá-la, e ela não estava onde devia…

– Estás a ver? – exclamou o Ró. – Eu não fui. Até me esqueci do meu molho de chaves dentro do cacifo da escola. E tenho de me ir embora porque tenho que arrombar o cadeado para o recuperar.

– Olha lá, Jó – perguntou matreiramente o Tio Miranda –, o que é feito das tuas chaves?

– O quê? As minhas chaves? – o rapaz procurou em vão por todos os bolsos. – Já sei. Esqueci-me delas na casa de banho.

E entrou disparado em casa, para recuperar tão precioso elemento da sua independência. O Ró seguiu-o imediatamente, alegando que também precisava de recuperar o seu molho de chaves.

– E eu? – perguntou o Tó. – Como é que me arranjo?…

– Não sei – respondeu o Tio Miranda. – Penso que o melhor é deixar o caso à tua consideração. É tão evidente, que prefiro não me intrometer. De qualquer maneira, se precisares dos meus conselhos estou na minha cadeira…

E virou-lhe as costas, não sem antes lhe dirigir um olhar malandro…

 

Pergunta-se:

1) Afinal quem tinha a máquina?

2) Justifique convenientemente a sua afirmação.

 

SOLUÇÃO

© DANIEL FALCÃO