Autor

Luís Pessoa

 

Data

20 de Julho de 1992

 

Secção

Policiário [20]

 

Publicação

Público

 

 

O INSPECTOR FIDALGO E O ENGARRAFAMENTO DE TRÂNSITO

Luís Pessoa

 

– Foi um azar dos diabos. Logo hoje que tive de ir a Sintra é que tinha de acontecer aquele acidente… Duas horas parado numa imensa fila de carros, é de mais! – desabafou o inspector Fidalgo visivelmente mal disposto.

– Das nove às onze, para tirar aquele camião que se atravessou e ocupou toda a estrada…

Com manifesto mau humor entrou no seu escritório, onde o esperava uma nota, pedindo-lhe que se dirigisse, logo que possível, a um consultório médico onde aparecera morta uma das empregadas, assassinada cerca das 10h30 daquela manhã.

Aí chegado, não foi difícil verificar que a causa da morte fora um tiro de pistola, cuja cápsula foi recuperada e indicava ser de calibre 6,35mm, uma arma defensiva, portanto.

Interrogadas as pessoas que por ali trabalhavam, foi possível estabelecer algumas ideias. Assim, a rapariga assassinada era, ou pelo menos fora, amante do médico principal. Os seus encontros eram ali mesmo, no consultório, logo pela manhã, antes de qualquer outra pessoa chegar.

Nesse dia, tudo parecia ter decorrido da mesma forma, com uma pequena excepção, em vez de amor, a moça encontrou a morte!

Não havia sinais de violência, para além do orifício que era visível junto do ouvido esquerdo. Tudo parecia indicar que a moça nem se tinha apercebido do que morreu.

Interrogado com mais pormenor, o médico afirmou que, ao contrário do que costumava acontecer, não viera mais cedo para o escritório, porque fora chamado de urgência, pelas oito da manhã, para ir a casa de uma amiga íntima, moradora em Sintra, de onde saiu por volta das dez. Veio imediatamente para Lisboa, com toda a pressa, porque tinha um compromisso inadiável às 11h00, para assinatura de uma escritura no notário.

Felizmente tinha um bom carro e, apesar de algumas infracções, sobretudo por excesso de velocidade, lá percorreu a estrada de Sintra de molde a chegar a tempo. Claro estava que, quer a amiga íntima, quer o notário poderiam confirmar a veracidade do que afirmava.

Posteriormente foram recolhidos os depoimentos de ambos os responsáveis pelo álibi do médico, mas o inspector Fidalgo já entendera o que se passara…

 

A – A rapariga suicidou-se com um tiro por ver que o médico não aparecia.

B – O médico matou-a e forjou o álibi com a sua amiga íntima.

C – O médico matou a moça e forjou o seu álibi com o notário.

D – O médico falou a verdade e não teve nada a ver com o caso.

 

SOLUÇÃO

© DANIEL FALCÃO