Autores

Mabuse

 

Data

21 de Fevereiro de 1997

 

Secção

O Detective - Zona A-Team [288]

 

Publicação

Jornal de Almada

 

 

Solução de:

NA EXPOSIÇÃO FILATÉLICA

Mabuse

 

Embora pareça difícil, este problema é de fácil solução para um filatelista com alguns conhecimentos. Para os não filatelistas será um bico de obra se não souberem onde ir procurar a solução; mas se o souberem, tudo se resumirá a um trabalho de pesquisa. Chamo desde já a atenção, que exceptuando os 4 selos falsos que a seguir se descrevem, todos os outros pormenores estão absolutamente correctos, pelo que considerações que sejam apresentadas por solucionistas sobre outros espécimes são fruto de uma pesquisa menos atenta ou de simples imaginação. Sei perfeitamente que 99% dos solucionistas que procederem a pesquisa (e só esses), irão consultar o catálogo de Eládio Santos. Acontece que essa obra é considerada por todos os verdadeiros filatelistas como uma mera lista de preços e não um catálogo, com inúmeras omissões, principalmente no que se refere a variedades; limita-se a descrever o selo-tipo, sem cuidar das variedades que possam existir, principalmente quando se trata de papéis, mesmo denteados, já que nem é bom falar das tonalidades de cor que cada selo pode apresentar. Todavia, quem souber (e puder) consultar um verdadeiro catálogo de selos portugueses, aí encontra todos os pormenores referidos no texto e a menção aos 4 selos falsos. Refiro-me, como é óbvio, ao Catálogo Especializado do Núcleo Filatélico do Ateneu Comercial do Porto (pouco divulgado) e ao melhor (quanto a mim) catálogo português, infelizmente não mais editado a partir de 1981, o Simões Ferreira.

Postos estes considerandos, vamos à solução propriamente dita:

O selo de 25 r., castanho com efígie de frente, com relativa imperfeição da impressão e denteado muito irregular de 111/2 das últimas emissões de D. Luís I, é falso. O verdadeiro espécime tem impressão perfeita e denteado 111/2 alinhado. O selo do texto trata-se da conhecida falsificação denominada “Pêra de Satanás”, e foi feito com um galvano roubado à Casa da Moeda, distinguindo-se dos selos originais pela relativa imperfeição da impressão e pelo denteado muito irregular, o qual foi feito com uma máquina de costura. Admite-se que esta falsificação tivesse ocorrido por volta de 1885.

Os outros 3 selos falsos, são os de Porteado do centenário do descobrimento do caminho marítimo para a Índia, das taxas de 50 r. e 200 r.. Também aqui temos uma falsificação muito conhecida, pois os verdadeiros são em papel pontinhado o de 50 r. e em papel porcelana colorido pouco espesso o de 100 r. e 200 r.. Esta falsificação distingue-se facilmente (?) no de 50 r. devido ao tipo de papel (pontinhado no verdadeiro e porcelana no falso) e nos 100 r. e 200 r. devido à espessura do papel porcelana (pouco espesso nos originais e muito espesso nos espúrios). Esta falsificação ocorreu por volta de 1913, talvez na casa Fournier de Genebra, local de eleição para falsificação de sê-los, não só portugueses continentais e ultramarinos mas também de espécimes mais cotados de todos os países do mundo.

© DANIEL FALCÃO