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Autor Data Fevereiro de 1987 Secção Secção Criminal [1] Publicação XYZ-Magazine [33] |
MORTES A MAIS Mac Donald Detective Particular O Presente Morada: Numa Cidade Circunvizinha de Capital Colegas: Antes de começar a circunscrever a narração de um crime, cabe
apresentar-me: tenho a alcunha de «Presente», porque a equipa da qual eu faço
parte alcunhou-me com esse nome, em virtude de eu estar sempre mas sempre,
presente quando qualquer caso se passa em alteração ao quotidiano. Passo a transcrever: No dia 11-2-86 levantei-me já muito tarde. O sol do meio-dia entrava
pelas frinchas do estore do meu quarto. Abri-o. Parecia um dia de Primavera. Por volta das 17 horas, desloquei-me à capital, à estação do Cais de
Sodré, a fim de esperar um familiar que vinha de Cascais. Ao entrar na estação, um funcionário, dos poucos que estavam de serviço
nesse dia, da Companhia dos Comboios Estoril-Sol, solicitou-me a apresentação
do bilhete de Gare, para ingresso na mesma, em virtude de eu não ir embarcar.
No entanto, depois de breve troca de palavras muito cordiais,
identifiquei-me e o mesmo facilitou-me a entrada. Estava eu ali já há alguns minutos. Lá fora chovia torrencialmente. A nave da estação era um corropio de gente. Uns
que regressavam à capital, outros que deixavam esta, afim
de tornarem as suas casas depois de findo mais um dia de trabalho. Eram 17.45 horas, precisamente, quando chega o comboio com 10 carruagens.
Mas um grande comboio! – pensei –, «ah! É hora
de ponta!». Uma fumarada enorme invade a estação. As portas são abertas através de
sistema automático. Uma avalanche de gente inunda o átrio. Nesse momento, alguém com a voz bastante aguda e aflita, grita de uma das
janelas do comboio! – Socoooooorro! Agarrem esse rapaz que acaba de
cometer um crime. Muitas pessoas param e olham para o local de onde parte o grito aflitivo.
Outros mais distantes, continuam saindo não se
apercebendo ou não ligando ao facto. Do meu local de observação, localizo um
individuo jovem a afastar-se um pouco despercebido. Aproximei-me e quando este
se presta para fugir, passo-lhe uma rasteira que o prostra por terra.
Entretanto, enquanto este se levantava e eu tomava as minhas precauções para
que não voltasse a fugir, verifico que estamos cercados por toda aquela
gente. Uns gritam, outros barafustam e ninguém se entende. Depois de mais calmos os ânimos, solicitei a colaboração de algum dos
presentes, prontamente rejeitada. O porteiro da Companhia, o mesmo que se me havia dirigido aquando da
minha entrada na estação, aproximou-se e colocou-se inteiramente à minha disposição para colaborar no que fosse preciso. O
fugitivo ria-se a bom rir depois de ter reagido ao golpe. Enquanto nos deslocávamos para o local do crime, um indivíduo cem cerca
de 60 anos e de estatura ainda bastante robusta, confirmou que vira o jovem
espetar um punhal no peito doutro, depois de acesa discussão, no momento em
que o Comboio entrava na gare. Na carruagem viajavam, além dos jovens, ele, a
esposa (que confirmou a veracidade dos factos) e outra senhora já bastante
idosa. O jovem nos intervalos das perguntas e respostas continuava a rir. Ao entrarmos por uma das portas da carruagem o possível criminoso gritou:
– Olhem!… Lá vai a «vítima» a fugir por aquela porta! Aquele, fez um sinal de adeus com o próprio
punhal todo sujo que tinha tirado do peito. No interior da carruagem uma senhora idosa estava caída. Mais tarde o
relatório do médico confirmou que a mesma se encontrava morta e, concluiu-se
ainda, que esta ao presenciar a «ressurreição» do morto, tivesse desmaiado e
na altura da queda batesse com a cabeça num dos bancos, provocando-lhe um
traumatismo craniano. Agora pergunto: a) – Eu sou um detective competente que não
comete erros? Justifiquem. b) – A ressurreição do jovem foi possível?… c) – A quem se atribuem as culpas pela morte da senhora?
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© DANIEL FALCÃO |
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