Autor

Marvel, Misterioso Mascarado

 

Data

13 de Junho de 1957

 

Secção

Quem Foi? [121]

 

Competição

Torneio "Detective Sem Nome"

 

Publicação

Mundo de Aventuras [409]

 

 

ACONTECEU NAS «PAMPAS»

Marvel, Misterioso Mascarado

 

Verão de 187…

A noite estava bela, iluminada por claro e suave luar. A calma estendia-se pelas Pampas argentinas, apenas perturbada pelos zumbidos dos insectos e, de vez em quando, pelos rugidos do jaguar.

Junto dos currais da «Fazenda Cortez», estava reunido todo o pessoal do rancho. Alguns vaqueiros entoavam monótona canção, ao som de uma guitarra hàbilmente manejada por um deles. Um grupo de quatro jogava as cartas e os outros fumavam silenciosamente.

A paz era absoluta.

Os dois tiros vindos do escritório do patrão, sito nas traseiras do edifício principal, sobressaltaram, portanto, os circunstantes, que correram nessa direcção. A porta do gabinete estava fechada. Bateram uma, duas vezes, e ninguém acorreu. Então um deles, mais resoluto, meteu os possantes ombros à porta e, com dois empurrões, abriu passagem.

O espectáculo que se lhes deparou era o que todos tinham previsto: o dono da fazenda jazia por terra, imóvel, com o peito trespassado por dois tiros. A janela estava aberta, o que levava a crer que os tiros tinham sido disparados dali.

Avisado o xerife, este não tardou a apresentar-se no local e, após os preliminares, interrogou os vaqueiros, que nada adiantaram, além de se ilibarem uns aos outros.

Efectuadas as primeiras diligências, o xerife apurou três suspeitos: Red Walton e John Stern, proprietários de dois ranchos confinantes com a fazenda e com cujo proprietário andavam em litígio por uma questão de gados, e William James, que nessa tarde havia sido despedido pela vítima.

Eram todos norte-americanos refugiados na Argentina, após a guerra civil que ensanguentara a novel nação estadonidense.

O primeiro a ser interrogado foi James, que declarou ter-se acolhido, a seguir à sua expulsão, a uma tribo de índios pacíficos e hospitaleiros. Passara lá a noite, vendo os seus festejos de veneração a Manitu e ouvindo as invocações do feiticeiro, que pediu ao «Grande Espírito» as maiores venturas para a sua gente. Depois, deitara-se numa tenda que lhe cederam e, na manhã seguinte, despedira-se e viera para a cidade.

Por sua vez, Walton disse que, como a noite estava magnífica, tinha ido dar um passeio pela sua propriedade, precisamente em sentido oposto à «Fazenda Cortez». Até ia sendo mordido por uma «boa», e se não tivesse sacado a tempo da sua faca de mato e morto o réptil, talvez não estivesse ali a contar o facto.

Por último, Stern declarou que tinha ido até à margem do rio que passava perto. Tal como a Walton, ia-lhe sucedendo um desastre, pois um caimão filara-lhe o cavalo por uma pata, e ele, com o brusco empino do animal, caíra no rio. O caimão, largando a presa, correra para ele, mas conseguira escapar-se, nadando ràpidamente para a outra margem. Sem mais contratempos, regressara.

O representante da Lei atentou nestes depoimentos e deu voz de prisão a um dos três depoentes.

 

PERGUNTA-SE:

1) Qual dos três foi acusado e preso?

2) Porque pensa assim?

 

 

© DANIEL FALCÃO