Autor

Marvel, Misterioso Mascarado

 

Data

4 de Julho de 1957

 

Secção

Quem Foi? [124]

 

Competição

Torneio "Detective Sem Nome"

 

Publicação

Mundo de Aventuras [412]

 

 

A MORTE DO VELHO AVARENTO

Marvel, Misterioso Mascarado

Dedicado a Maria Josefa d’Almeida

Numa pequena vivenda perdida no interior de Estado de Mato Grosso, Brasil, vivia Richard Williams, rico e avarento velhote que tinha ao seu serviço, um criado de nome Marcos Silva. Este servia-o não pelo irrisório ordenado que o feitio do amo lhe atribuía, nem que ele o tratasse bem, mas sim pelo testamento que o avaro fizera, e no qual lhe deixava uma bonita soma.

No descampado em que viviam eram frequentemente visitados por Basil de Matos, um amigo de Williams, que também era um dos contemplados no testamento.

 

Richard Williams fora morto, no leito, com dois tiros disparados à queima roupa, no dia 20 de Agosto de 19…

O inspector Gaivão, chamado prontamente pelo criado, tomou conta da ocorrência. Chegado à vivenda e antes de entrar no aposento onde estava o corpo, perguntou a Marcos:

– Tocou em alguma coisa?

– Em nada, senhor inspector. Apenas tomei o pulso do meu amo para ver se ainda vivia.

Sem uma palavra, o inspector entrou.

Metido entre os lençóis da larga cama de ferro, e com a cabeça deitada sobre o braço esquerdo, estava o corpo sem vida de Richard Williams. A mão direita, ensanguentada (tal como a esquerda), segurava um lápis vulgar, perto do qual se via um rectângulo de papel no qual se podia ler:

«BRAMB»

Era evidente que o velho tivera ainda uns momentos de vida, e que tentara denunciar o culpado, mas a morte surpreendera-o antes que pudesse concluir a palavra. Quem quereria o morto acusar?

O inspector examinou a mesinha de cabeceira, colocada à esquerda. Estava apinhada dos mais variados objectos: um cinzeiro, no qual se viam várias pontas de cigarro, um relógio despertador, uma rima de papéis iguais àquele de que o velho se servira, e em cujo primeiro se via a marca de um polegar sangrento, etc.

Galvão pegou na mão de Williams e aproximou-a do monte de papéis. Não lhe chegava a tocar, mas elevando o corpo, alguns centímetros, já lá chegava à vontade.

Examinou uma vez mais o papel. Não apresentava outras particularidades além de estar um pouco amarrotado e com algumas dedadas de sangue.

Depois de fazer sinal ao médico legista, indicando-lhe que podia começar o seu trabalho, o inspector voltou-se para o criado, que seguia atentamente todos os seus movimentos, e perguntou:

– Que tem a dizer?

– Hoje, o sr, Richard não se sentiu bem disposto e ficou na cama, onde almoçou. Cerca das três horas chegou o Sr. Basil, um velho amigo seu, que se retirou pouco depois, prometendo – olhou o relógio – voltar a esta hora. Não deve tardar. A mando do patrão fui à cidade, a fim de aviar uns medicamentos. Saí pelas quatro horas e regressei hora e meia depois, deparando com este triste espectáculo. Tomando o pulso do patrão, verifiquei que nada havia a fazer, a não ser chamar o médico e a polícia.

– Quando saiu deixou a porta aberta?

– Ficou fechada no trinco, mas podia ser aberta por fora. Foi o meu amo que me pediu para assim fazer.

O inspector, satisfeito com as prontas respostas do criado, virou-se para o médico e perguntou-lhe:

– A que horas teve lugar a morte?

– Entre as quatro e as cinco, inspector.

– Morte instantânea?

– Não. O velhote teve ainda uns minutos de vida.

Galvão ia a fazer nova pergunta, quando o ruído dum automóvel, lá fora, o impediu. Correu à janela no momento em que um homem, ainda novo, se apeava de um luxuoso carro parado defronte da moradia.

Reconhecendo-o, o criado disse tratar-se do tal Basil de Matos.

Depois de ter sido posto ao corrente do que se passara. o inspector interrogou-o.

O seu depoimento foi breve e claro. Afirmou que, após se ter retirado, fora a uma povoação afastada da vivenda algumas dezenas de quilómetros, onde tratara de uns negócios, e agora, de regresso, passava por ali como havia prometido ao seu velho amigo.

Tanto ele como o criado reconheceram que a incompleta palavra do papel estava escrita com a inconfundível letra de Williams.

Galvão pensou, pensou… e, por fim, deu voz de prisão a um dos dois suspeitos.

 

PERGUNTA-SE:

1) Quem foi o detido?

2) Porquê?

3) Como se passou o caso?

 

 

© DANIEL FALCÃO